Djokovic classifica resultados combinados como um "crime no desporto"

Número um do ranking reconhece ter sido aliciado para perder um encontro em 2007.

Djokovic venceu o sul-coreano Hyeon Chung na primeira ronda do Open da Austrália
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Djokovic venceu o sul-coreano Hyeon Chung na primeira ronda do Open da Austrália REUTERS/Jason O'Brien

O tenista sérvio Novak Djokovic, número um mundial, afirmou nesta segunda-feira que os jogos com resultados combinados são “um crime no desporto” e recordou que foi indirectamente aliciado em 2007 para perder um encontro.

“Para algumas pessoas, este tipo de ofertas podem ser vistas como uma oportunidade. Para mim, é um crime no desporto e não há nenhuma justificação para isso. O desporto não tem espaço para esse tipo de problemas, sobretudo o ténis”, afirmou Djokovic depois de vencer o sul-coreano Hyeon Chung na primeira ronda do Open da Austrália, torneio que já ganhou por cinco vezes.

O tenista sérvio recordou um episódio em 2007, quando lhe ofereceram cerca de 200 mil euros para perder um encontro no torneio de São Petersburgo, prova em que acabou por não participar.

“Não falaram directamente comigo, mas com pessoas que trabalhavam comigo na altura. Claro que rejeitámos logo. Foi algo que me fez sentir muito mal, porque nunca queria estar ligado a algo desse tipo. Nos últimos seis, sete anos, sinceramente não soube de nada similar”, referiu.

A BBC divulgou no domingo que 16 tenistas que integraram o top 50 mundial na última década, incluindo vencedores de torneios do Grand Slam, estiveram envolvidos em jogos com resultados combinados.

“Na última década, 16 jogadores classificados nos 50 primeiros foram repetidamente assinalados pela Unidade de Integridade do Ténis (TIU) devido a suspeitas de que estariam a combinar resultados de jogos. Todos os tenistas, incluindo vencedores de Grand Slams, foram autorizados a continuar a competir”, alega a investigação conjunta da BBC e do site BuzzFeed News.

A cadeia de televisão britânica sustenta as alegações com o acesso a ficheiros secretos, nos quais se inclui uma investigação iniciada pela ATP, em 2007. “Num relatório confidencial para as autoridades tenísticas, em 2008, a equipa de investigação defendeu que 28 atletas deveriam ser investigados, mas as indicações nunca foram seguidas”, afiançou a BBC, indicando que três dos encontros combinados ocorreram no torneio de Wimbledon.

A ATP introduziu um novo código anticorrupção em 2009 e, depois de procurar aconselhamento legal, foi informada de que violações anteriores não poderiam originar processos. No entanto, os documentos a que a estação britânica teve acesso demonstram que a TIU recebeu sucessivos alertas nos anos subsequentes sobre um terço dos jogadores já referenciados, sem que fossem tomadas quaisquer medidas.

A reportagem alega ainda que oito dos 16 tenistas sinalizados estão a disputar o Open da Austrália, que arrancou no domingo.