Opinião

A camuflagem na política

Marcelo espalha a confusão nos eleitores: os de direita porque acham que ele está a fazer um frete à esquerda e os de esquerda porque acham que ele está a usar um disfarce.

“Os camaleões, pertencentes a uma família da classe dos Répteis, distinguem-se de outros lagartos pela habilidade de algumas espécies em trocar de cor, por sua língua rápida e alongada, por seus olhos, que podem ser movidos independentemente um do outro...” (Wikipédia). A “habilidade” em trocar de cor tem, entre outras funções, a camuflagem, qualidade que lhes permite passar despercebidos e que funciona como mecanismo de defesa e de ataque, respectivamente em relação aos predadores e às presas. No momento político que vivemos, encontramos essa característica num dos candidatos à Presidência da República, o professor Marcelo Rebelo de Sousa.

De um momento para o outro, tudo o que já foi deixou de ser, tudo o que defendia deixou de defender, tudo em que acreditava passou a descrer... E nas visitas a creches, asilos e hospitais, ou em grandes ajuntamentos, tenta camuflar a sua verdadeira pele e assim poder defender--se dos seus potenciais “predadores”, os outros candidatos, ou das suas potenciais “presas”, os eleitores.

Não acredito que o povo português goste de “camaleões”, a não ser daqueles “bichinhos” simpáticos que se vendem nalgumas praias e que fascinam principalmente as crianças pela sua capacidade de disfarce. O disfarce nos políticos não conduz a bons resultados, antes pelo contrário, conduz à desilusão, desmotivação e indignação, quando a máscara cai. Para confirmar as “mimetagens” do professor Marcelo Rebelo de Sousa (M.R.S.), basta recordar alguns momentos do debate com a candidata Marisa Matias, na SIC Notícias, no dia 4 de Janeiro:

— Adopção por casais gay: um dos grandes defensores da família tradicional afirma que é irrelevante o tipo de família adoptante;

— Subscreveu a iniciativa legislativa de cidadãos da plataforma Por o Direito de Nascer contra o fim das taxas moderadoras para interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas; como Presidente, não veria qualquer problema em promulgar o diploma da Assembleia da República que repõe o fim das taxas moderadoras para interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas; no referendo sobre o aborto, em 1998, fez campanha a favor do não à descriminalização do aborto, actualmente afirma que “foi sempre contra a aplicação de pena à mulher que recorria ao aborto”.

— Aquando da resolução do BES, M.R.S. afirmou que a banca estava segura e blindada e que tinha toda a confiança no governador do Banco de Portugal, o que terá levado muitos dos actuais lesados a confiar nas suas palavras professorais; actualmente reconhece que não houve controlo e que o governador já devia ter saído “pelo seu pé”...

Estes exemplos, além de muitos outros, como a defesa do Serviço Nacional de Saúde, quando é do domínio público que o PSD votou contra a sua implementação, revelam um Marcelo que prefere “despir a sua pele” de direita e apoiar os temas considerados fracturantes e mais próximos das preocupações da esquerda do que  mostrar-se como realmente é. Daqui resulta a dispensa da companhia de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas na campanha “de um homem só”... E assim espalha a confusão nos eleitores: os de direita, porque acham que ele está a fazer um frete à esquerda e os de esquerda, porque acham que ele está a usar um disfarce e a “vestir uma camisola” que não é a sua. Atitude perigosa para quem quer ser Presidente da República de todos os portugueses.

Apoiante da candidatura de Sampaio da Nóvoa a Presidente da República