Google critica imposição legal de condutor nos carros autónomos

Empresa considera que a imposição coloca em causa o direito à mobilidade de pessoas com deficiências ou problemas de saúde limitadores.

Foto
AFP/Google

O Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia, Estados Unidos, exige que os carros autónomos circulem com um condutor licenciado atrás do volante, uma imposição que deixou o Google “perplexo” perante o obstáculo criado ao potencial da tecnologia das suas viaturas sem condutor, que têm volante e pedal de travão amovível.

Esta semana, o departamento californiano estabeleceu regras para o uso da tecnologia desenvolvida pelo Google e outras empresas dentro e fora do mercado automóvel. Segundo uma as medidas impostas, os carros verdadeiramente autónomos serão “inicialmente excluídos” de circulação, cita a BBC.

O director do projecto de veículos autónomos do Google afirmou-se “perplexo” com a medida. “Isto mantém o antigo status quo e impede que esta tecnologia atinja o seu pleno potencial, excluindo aqueles que precisam de se deslocar mas não podem conduzir”, escreveu Chris Urmson no seu blogue.

“Ouvimos inúmeras histórias de pessoas que necessitam hoje de um carro totalmente autónomo. Pessoas com saúde condicionada, com problemas de visão, esclerose múltipla, ou autismo e epilepsia, frustradas com a sua dependência de outros, mesmo para simples recados", acrescentou o responsável do Google.

Os carros do Google não podem circular a mais de 40 quilómetros por hora. E, apesar de serem capazes de andar de forma autónoma, têm acelerador, travão e um volante removíveis.

A questão da segurança da circulação destes veículos nas estradas não deve ser dramatizada, segundo a empresa, que sublinha que os números de sisnistros com as viaturas falam por si. Por exemplo, em Maio deste ano, o Google confirmou que em seis anos de circulação nas estradas californianas, entre os seus carros autónomos tinham sido registados 11 acidentes, sem feridos. Segundo a empresa, nenhum dos acidentes foi provocado por uma das suas viaturas, fosse a circular de forma autónoma ou com um condutor ao volante, concluindo que na origem dos sinistros esteve sempre um erro humano.

O Google considera que estes resultados vêm reforçar que a empresa está no bom caminho para garantir que a tecnologia que coloca nos seus carros torna a condução mais segura, tudo devido aos sensores, combinados com software, que integram as viaturas e que lhes dá mais hipóteses de evitarem acidentes de uma forma mais eficaz do que se estiver alguém sentado ao volante.

“Vimos nos nossos próprios testes que os condutores não podem ser confiáveis para entrar e sair da tarefa de condução quando o carro os incentiva a encostarem-se e a relaxarem”, comentou Urmson. Apesar desta posição, recorde-se que, em Novembro, um dos carros sem condutor do Google foi mandado parar pela polícia de trânsito da Califórnia porque circulava a 25 milhas por hora (cerca de 40 km/h) numa zona com mínimo obrigatório de 55 km/hora. No relatório das autoridades, o carro foi considerado “demasiado cauteloso”.