Murray faz história na Taça Davis

O tenista de 28 anos deu à Grã-Bretanha o primeiro título na competição desde 1936.

O céu é o limite
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O céu é o limite John Thys/AFP

Poderá ser politicamente incorrecto dizer que a Escócia poderia vencer a Taça Davis, se competisse de forma autónoma como no futebol ou râguebi. Mas a verdade é que 11 dos 12 encontros que a Grã-Bretanha venceu nesta campanha de 2015 foram ganhos pelos escoceses Murray: Andy venceu oito singulares – o primeiro a ganhar tantos singulares decisivos num só ano desde a introdução do Grupo Mundial, em 1981 – e três encontros de pares; Jamie venceu três pares, ao lado do irmão. Ambos foram os obreiros deste triunfo histórico para os britânicos que ergueram a “saladeira” de prata pela 10.ª vez, mas a primeira desde 1936, quando Fred Perry ganhou o derradeiro encontro frente à Austrália, em Wimbledon.

“É uma sensação incrível. Imagino que vá precisar de alguns dias para cair em mim, mas, provavelmente, nunca estive tão emocionado depois de um encontro que tenha vencido. É inacreditável como conseguimos vencer esta competição. Nunca pensei que fosse possível. É fantástico!”, afirmou Andy Murray, após conquistar o terceiro ponto da final, ao derrotar o número um belga e 16.º do ranking, David Goffin, por 6-3, 7-5 e 6-3, tornando-se no primeiro tenista a estar na conquista dos três pontos numa final da Taça Davis, desde 1995, quando Pete Sampras conduziu os EUA à vitória sobre a Rússia.

O número dois do ranking mundial dominou o encontro de 2h54m, mas teve de aplicar-se para contrariar a determinação de Goffin, ancorada no apoio da maioria dos 13 mil espectadores que encheram a Flanders Expo, em Gent. O belga foi o primeiro a dispor de um break- point, no quinto jogo, mas Murray foi mais eficaz quando teve a primeira oportunidade e adiantou-se para 4-2, sentenciando o set inicial.

A reacção de Goffin não se fez esperar, levando o britânico a mostrar alguns sinais de frustração. Mas, a 5-5, alguns erros do belga permitiram o break e desequilibraram o encontro. Murray, que nunca perdeu qualquer encontro neste ano após ganhar o set inicial, muito menos perdeu o comando com dois sets de vantagem – a última derrota nestas circunstâncias, ocorreu em 2005, quando tinha 18 anos.

Mesmo assim, cedeu um break no início do terceiro set, mas devolveu-o de imediato. Apesar da entrega, Goffin foi dando sinais de desgaste e concedeu o break fatal no sétimo jogo. O belga ainda salvou um match-point, mas, no segundo, Murray executou um lob perfeito de esquerda, antes de se deixar cair no court de terra batida.

“Foi muito apropriado ter terminado com uma das suas pancadas de génio, em especial um lob, porque, quando era mais pequeno, a sua especialidade era a combinação amortie e lob”, frisou a orgulhosa Judy Murray, mãe e primeira treinadora de Andy e Jamie.

Para o Murray mais velho é mais um grande título a juntar às conquistas da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres (2012), Open dos EUA (2012) e Wimbledon (2013).