Portugal precisa de uma campanha para incentivar mães a amamentar em exclusivo

Ex-ministra da saúde diz que ainda há "grande confusão" sobre o que são as melhores práticas alimentação das crianças. OMS recomenda aleitamento exclusivo até aos seis meses de idade.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o leite materno traz várias vantagens ao bebé
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Segundo a Organização Mundial de Saúde, o leite materno traz várias vantagens ao bebé Enric Vives-Rubio

Aos seis meses de idade, menos de um quarto (22,1%) dos bebés usufruía de aleitamento materno em exclusivo em Portugal em 2013, uma taxa que fica muito aquém daquilo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera como boa prática. Para facilitar a amamentação materna em exclusividade até ao meio ano, a Iniciativa Mundial sobre Tendências de Aleitamento Materno (IMTA), que avaliou a aplicação de estratégias e políticas para esta área em Portugal, defende que deve ser criado um comité nacional  para o aleitamento materno e desenvolvida uma campanha que incentive esta prática “em detrimento da utilização do biberão”. O relatório da IMTA foi esta segunda-feira divulgado em Lisboa.

Os autores do relatório consideram que se usa demasiado o biberão em Portugal (quase 80% dos bebés amamentados dos 0 aos 12 meses recebem alimentos ou bebidas, incluindo leite materno, através de biberão).

“Cerca de 90% dos bebés saem das maternidades a fazer leite materno em exclusivo, mas nos meses seguintes há uma quebra muito grande”, lamenta a ex-ministra da Saúde, Ana Jorge, a pediatra que em Portugal coordena esta iniciativa.

Entre outras propostas, os autores do relatório recomendam o prolongamento da licença de maternidade paga até aos seis meses, de forma facilitar o aleitamento materno exclusivo neste período (actualmente a licença parental é de 120 a 150 dias e pode partilhada na fase final pela mãe e pelo pai), mas, no entender de Ana Jorge, Portugal “não precisa de mais leis” mas sim sobretudo de cumprir as que já existem.

O problema é que em Portugal há “uma grande confusão” sobre o que são as melhores práticas na alimentação das crianças durante os dois primeiros anos de vida, diz. “Não há uma política escrita e a aplicação das boas práticas depende dos profissionais”, lamenta a ex-ministra, que sublinha que a  OMS recomenda que os bebés sejam amamentados em exclusivo até aos seis meses e que a introdução de alimentação complementar apenas deve ocorrer após esse período.

Se a amamentação exclusiva não for possível porque as mães têm que retomar o seu emprego, então é necessário incentivá-las a retirar e armazenar o leite e criar espaços nos locais de trabalho para que o possam fazer, acentua a pediatra.

Mesmo muitos dos chamados "cantinhos de amamentação", que foram surgindo em unidades do Serviço Nacional de Saúde, acabaram por ser encerrados, lê-se no relatório, que preconiza a criação de um órgão dentro da ASAE (Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica) para monitorizar o cumprimento da lei sobre publicidade e marketing dos substitutos do leite materno. A formação sobre alimentação de lactentes e crianças pequenas “deve ser livre de influências comerciais", sublinham.

De resto, a Rede Internacional Pró-alimentação Infantil (IBFAN, na sigla inglesa) destaca que Portugal teve uma boa avaliação  em vários indicadores e destaca que o país “teve pontuação positiva na sua primeira avaliação internacional” no âmbito desta iniciativa. A representante da iniciativa em Portugal, Jacqueline de Montaigne, mostra-se disposta para trabalhar em estratégias com os parceiros nacionais relevantes para colmatar as lacunas identificadas. A próxima avaliação terá lugar em 2018. com Lusa

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