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As jóias ultrapassaram fronteiras e Letícia, a rainha de Espanha, tem uma criação da artista Liliana Guerreiro
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As jóias dela até andam nas mãos da realeza

Este é um dos nomes mais importantes quando o assunto é a joalharia de autor. Liliana Guerreiro tem uma marca de jóias com doze anos de história que faz sucesso internacionalmente

Liliana Guerreiro é um dos nomes mais sonantes na joalharia contemporânea portuguesa e uma das primeiras licenciadas na área. Foi em 1999 que acabou o curso em Joalharia, na Escola Superior de Artes e Design, a única licenciatura ligada a esta arte na Península Ibérica. A turma inaugural era composta por Liliana e mais cinco ou seis alunos: um número muito pequeno comparado ao que é hoje a joalharia contemporânea.

Viana do Castelo é a terra que viu Liliana nascer e em muito influenciou a paixão pela joalharia, talvez pela forte presença e tradição da arte na cidade. Ainda hoje é possível perceber como Viana do Castelo inspira a artista, principalmente no uso de metais nobres, como a prata e o ouro, e na reinvenção da filigrana nas suas peças. Para Liliana não são os materiais que estipulam o preço da peça, mas sim todas as horas e dedicação investidas em cada criação.

Quando acabou o curso, em Portugal, eram poucos os designers de jóias. Poucos anos depois, a recém-licenciada decidiu lançar-se no mercado que ainda agora estava a começar. É empreendedora desde aí e sempre desenhou muito ao seu gosto. Começou por criar jóias para familiares, depois passou para amigos e, a partir daí, para amigos dos amigos. Deu os primeiros passos muito devagar e hoje é conhecida mundialmente.

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Liliana Guerreiro Adriano Miranda

Participou em vários eventos que a ajudaram a consolidar a marca, como feiras e exposições internacionais, com destaque para a de Nova Iorque e de Tóquio. “Foi a partir deste reconhecimento internacional que comecei a ter sucesso no nosso país”, repara a artista.

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Jóias simples e leves, pensadas para o público feminino Liliana Guerreiro

Arte que não segue tendências

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A artista recriou a filigrana e registou a malha em seu nome Liliana Guerreiro

Liliana não mudou muito as suas criações desde que começou. Afirma ter melhorado algumas técnicas e pormenores mas a essência é a mesma – são jóias simples e leves, com algumas brincadeiras de escalas e pormenores. As peças reflectem muito o gosto da joalheira, que admite não seguir as modas e tendências do mercado.

São principalmente os elementos naturais e orgânicos que a inspiram, as “formas puras e femininas” estão sempre presentes nestas criações, já que o público-alvo são as mulheres. No geral, os compradores das jóias de Liliana Guerreiro são muito ligados às áreas artísticas, principalmente à Arquitectura e ao Design. Mas não ficam por aí, há uma jóia que anda pelas mãos da realeza: estamos a falar de Letícia, a actual rainha de Espanha.

Liliana desde cedo conquistou os consumidores internacionais, mas o sucesso também se fez notar em Portugal: foi vencedora do primeiro e segundo prémio do Concurso Internacional de Filigrana, na sua primeira edição em Povoa do Lanhoso. na “terra do ouro” percebeu que sem talento não se faz nada, mas que também é preciso ter uma boa comunicação da marca.

Na opinião da artista, o outro ingrediente necessário na receita para o sucesso é a internet: “Actualmente não se faz nada sem estar online. Quem não está na rede, não existe”. E foi assim que começou a apostar numa página profissional que também serve como loja. Espalhadas pelo resto do mundo estão cerca de 20 estabelecimentos que vendem as suas criações, com destaque para algumas lojas dos Estados Unidos, Itália e Bélgica, onde há um forte volume de vendas. “Os consumidores dos outros países gostam muito da joalharia portuguesa, dizem que somos muito bons”, afirma a artista. “E é verdade: há cada vez mais artistas e cada vez mais qualidade, não estou a falar só do meu caso”, continua.

Apesar desta admiração internacional, o público português continua a ser um dos maiores consumidores de joalharia: “Em relação ao nível de vida da população dos outros países, os portugueses continuam a comprar muitas jóias”. Mas nem sempre foi assim: “Quando não se falava noutro assunto senão a crise, registei uma quebra nas vendas”, lamenta a joalheira, que afirma agora estar a “vender bem”.

Para o futuro, Liliana tem apenas um desejo: continuar com os resultados que tem registado e, sobretudo, trabalhar sempre com gosto e "a brincar".