Lisboa Games Week, melhor é possível?

Finalmente temos a base ou os alicerces, para um evento grandioso, capaz de rivalizar à escala europeia com outros semelhantes

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Há muito tempo atrás, costumava ler nas revistas de videojogos grandes reportagens sobre eventos, que pareciam ser a Meca de todos os jogadores. Estes eram os casos da (extinta) ECTS, da CES, da GDC, da GamesCom e, claro, a E3. Sempre que lia estes textos suspirava por existir algo equivalente em Portugal. Mas, quanto muito, essa aspiração era somente um sonho molhado.

Mas agora é tudo diferente. Finalmente, temos eventos de videojogos sem serem “lan party” ou um simples almoço com algumas dezenas de colegas, que, por acaso, também apreciam esta indústria. Sim, hoje, temos o Microsoft Game Dev Camp, que é sem dúvida nenhuma o nosso GDC (a sigla é até praticamente a mesma), e, claro, a versão portuguesa da E3 doravante conhecida por Lisboa Games Week.

É precisamente sobre a edição deste ano do Lisboa Games Week que escrevo este texto. Um evento colossal que me roubou toda a vida social durante quatro dias. Quer dizer, se calhar não “roubou”, deu-me antes em troca uma oportunidade única para falar com colegas jornalistas, produtores de videojogos, YouTubers, cosplayers, jogadores de e-sports e representantes comerciais, que normalmente só conheço através dos meios virtuais.

Como é habitual, costumo estar sempre mais perto dos produtores portugueses de videojogos e este ano três jogos apareceram no grande auditório do Lisboa Games Week – com uma agenda soberbamente bem organizada pela equipa do Salão de Jogos. De repente, o grande público viu e jogou “Greedy Guns”, do Tio Atum, “Strikers Edge”, da Fun Punch, e “Super Arrebenta Manos”, do José Castanheira... Em plateias cheias! Só isto demonstra que a audiência já se apercebeu que as produções nacionais são de grande qualidade.

Noutro lado do evento lá estava Mário Tavares e o "nosso" futuro museu de videojogos — Nostalgica —, que não tiveram mãos a medir. Novos, graúdos, velhos, todos queriam recordar pequenos pedaços ou mesmo ficar a conhecer pérolas de um passado tão próximo e ao mesmo tempo tão distante.

Todos são necessários!

Claro que um evento como este tem tempo para melhorar. Não é perfeito. Mas nem a E3 ou a GDC ou a GamesCom o são. No Lisboa Games Week ainda não são estreados grandes títulos, daqueles sonantes que abrem eventos — por enquanto. Eventualmente, conforme o evento for evoluindo e for atraindo mais visitantes, maior será a facilidade em conseguir convencer uma grande publicadora a considerar Portugal como um peça importante para lançamentos exclusivos. No entanto, para isso acontecer, temos de estar todos focados nesse objectivo, YouTubers, cosplayers, produtores, jornalistas, jogadores de e-sports, representantes comerciais... São todos necessários, não há espaço para o ego.

Podia estar a escrever um pouco mais sobre tudo o que esteve presente no evento, mas isto é uma crónica, não uma reportagem. Há outros sites, que fizeram dezenas de artigos sobre o evento, com grandes abordagens sobre o desempenho da Playstation, da Nintendo, da Warner Bros, das lojas, enfim, é só procurar. No entanto, gostava de salientar, que finalmente temos a base ou os alicerces, para um evento grandioso, capaz de rivalizar à escala europeia com outros semelhantes. Podemos, ainda não estar nesse patamar, mas eventualmente vamos lá chegar.

Finalmente, uma última palavra para a Microsoft. A sua ausência sentiu-se. Um visitante, até me disse: “os únicos comandos da Xbox que vi, estão aqui nos jogos portugueses”. Evidentemente, é pouco para uma marca que tem um peso enorme na indústria mundial. Volta Microsoft, não fizeste nada de mal.