Papa não se vai desviar do “trabalho de reforma”, apesar de novo "Vatileaks"

Francisco falou pela primeira vez das novas fugas de informação sobre escândalos financeiros no Vaticano.

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Francisco pediu aos fiéis para "continuarem em frente com confiança e esperança” Alessandro Bianchi/Reuters

O Papa Francisco sublinhou este domingo a sua vontade de continuar as reformas na Igreja Católica, apesar da divulgação de documentos financeiros secretos relacionados com o Vaticano, que qualificou como “acto deplorável”. “Quero-vos garantir que este triste facto não vai certamente desviar-me do trabalho de reforma que está a avançar com os meus colaboradores e o apoio de todos vós”, disse Francisco aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro para a oração do Angelus.

Estas foram as primeiras declarações do Papa sobre o novo “Vatileaks” que, no fim-de-semana passado, levou à prisão de duas pessoas suspeitas de estarem na origem da fuga de documentos, o prelado espanhol Lucio Angel Vallejo Balda e a laica italiana Francesca Chaouqui (entretanto libertada, mas ainda sob investigação).

Estes documentos estão na origem de dois livros que revelaram desvios de fundos destinados aos pobres ou aos doentes para financiar hábitos de vida luxuosos de alguns cardeais, entre outros actos de corrupção, mas, acima de tudo, mostram as profundas resistências às reformas que o Papa quer efectuar na Igreja

Os dois livros, Avarice (Emiliano Fittipaldi) e Via Crucis (Gianluigi Nuzzi) revelam como alguns elementos do topo da hierarquia clerical defendem com convicção os benefícios e vantagens adquiridos para seu usufruto pessoal, em plena contradição com a mensagem evangélica e com a ideia de despojamento e pobreza que Francisco quer fazer valer no seu pontificado.

“Eu sei que muitos entre vós estão perturbados com as informações destes últimos dias sobre documentos secretos da Santa Sé”, disse o Papa. “Ter publicado estes documentos foi um erro. É um acto deplorável que em nada ajuda.” “Fui eu mesmo que pedi este estudo e estes documentos. Eu e os meus colaboradores já os conhecíamos”, assegurou Francisco, explicando que, na sequência de ter recebido estas informações, foram tomadas medidas que já deram os primeiros frutos.

Esta última mensagem parece ser uma resposta a Gianluigi Nuzzi, que defendeu o seu livro considerando que “revelar segredos só pode ser servir aqueles que querem a transparência, o objectivo número um do Papa”. Francisco concluiu pedindo aos fiéis para “não se deixarem perturbar e continuarem em frente com confiança e esperança”.