Bairro histórico de Aveiro ganha nova instalação artística

Comerciantes e moradores da Rua Direita estão determinados em revitalizar a zona onde trabalham e vivem, transformando-a num ponto de encontro de aveirenses e turistas.

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A exposição ao ar livre decora com paisagens, rostos e elementos da natureza um total de 23 caixas de electricidade. O objectivo é levar mais pessoas para a Rua Direita, por excelência uma artéria de comércio Adriano Miranda
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Adriano Miranda
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Já não é a primeira vez que a Rua Direita, em Aveiro, consegue dar nas vistas – e pelos melhores motivos. Depois de, no Verão, ter estado engalanada com peixes, conchas e búzios – feitos de tricot e pendurados em redes de pesca –, aquela que é uma das mais conhecidas artérias da cidade voltou a embelezar-se. Desta vez a aposta foi numa instalação fotográfica. Paisagens, rostos e elementos da natureza passaram a decorar as 23 caixas de electricidade que se encontram instaladas na rua e vielas adjacentes, no âmbito de mais uma acção promovida pela associação Corda - Comércio da Rua Direita e Adjacentes de Aveiro. Uma verdadeira exposição ao ar livre, que se estende também para o interior de vários espaços comerciais, já que várias lojas decidiram expor também nas suas montras as imagens captadas pelos fotógrafos que decidiram aderir ao projecto, que vai continuar patente durante as próximas semanas.

“A exposição, a que chamámos de 'Fora da Caixa', vai manter-se durante o tempo que o material aguentar. Serão as condições climatéricas e o consequente desgaste das imagens que irão ditar quando é que a mostra termina”, assegura Ana Pedro Peres, uma das responsáveis pela Corda, sem deixar de revelar que já há planos para a época natalícia que se aproxima. “É um projecto arrojado e precisamos de parceiros. Fica aqui um apelo para as empresas nos apoiarem”, anuncia a mesma responsável, sem revelar mais pormenores sobre a futura instalação. Por ora, importa centrar atenções na instalação “Fora da Caixa” e esperar que ela cumpra os objectivos previstos: levar mais pessoas para a Rua Direita.

Com a chegada dos grandes centros comerciais, aquela que era a “rua do comércio por excelência” da cidade aveirense foi perdendo o vigor e o movimento de outros tempos. Depois, a zona envolvente, bem como a própria Rua Direita, estiveram sujeitas a obras que se prolongaram no tempo e que acabaram por desabituar os aveirenses a afluírem a esta zona comercial, o que acabou por piorar a situação. “Sentimos que era preciso começar a fazer algo para trazer as pessoas para aqui e fixá-las”, referiu Ana Pedro Peres.

“Nascemos como movimento, algo mais informal, mas acabámos por oficializar o nosso grupo, constituindo uma associação”, acrescenta a responsável, que é também proprietária de um restaurante. “Definimos uma área de abrangência que é o bairro histórico de Aveiro, ou seja, toda a zona que ficava entre as muralhas, e que é o espaço mais nobre da cidade, onde se encontram os principais monumentos e edifícios”, acrescenta.

Fazer muito com pouco dinheiro
Para cumprirem os objectivos a que se propõem, e atendendo a que têm de “fazer muito com pouco dinheiro”, os elementos da Corda estão sempre à procura de parcerias. Assim foi com a instalação dos peixes em tricot, em que uniram esforços com o grupo Tricotadeiras de Aveiro, e o mesmo volta acontecer, agora, com a instalação “Fora da Caixa”, que foi inaugurada ontem à tarde. “Juntámo-nos ao Centro de Fotografia Trilhos da Terra, a quem pedimos ajudar para seleccionar e tratar as fotografias que compõem a exposição”, destaca Ana Pedro Peres.

A Câmara Municipal de Aveiro também tem estado ao lado da associação mas, por força da sua situação financeira, as ajudas têm assumido a forma de “apoio logístico”. “Vamos fazendo as coisas conforme podemos, com a ajuda de empresas e de voluntários”, ilustra Marina Vieira, presidente da Corda. Por exemplo, para a concretização desta exposição a céu aberto contaram com o apoio de mais de uma dezena de voluntários, que não hesitaram em dedicar as noites de quinta e sexta-feira a limpar as caixas de electricidade – muitas estavam cheias de colas de cartazes – e a colocar o vinil e as respectivas fotografias. Foi o caso de Gaspar Pinto Monteiro, que foi movido pela “vontade de ajudar”. “Participo sempre em várias actividades, de diversas associações”, assegurou o voluntário da Corda, que não faltou à chamada na noite da passada quinta-feira.

As imagens que agora estão a ser mostradas à população e aos turistas também surgiram da própria comunidade. “Optámos por abrir este desafio a fotógrafos amadores, para que as imagens a expor tivessem a participação da comunidade, ou seja, daqueles que são também os clientes e habitantes desta zona histórica”, destaca Ana Pedro Peres. Responderam ao desafio um total de 23 fotógrafos e segundo avalia Felipe Letelier, do Centro de Fotografia Trilhos da Terra, as fotografias por eles cedidas impressionaram “pela positiva”. “Temos aqui muito boas imagens”, assevera o especialista.