Passos: "Na oposição não deixarei de assumir as minhas responsabilidades"

Passos e Portas reuniram-se com deputados do PSD e do CDS na AR. Primeiro-ministro insiste que programa de Governo que será entregue nesta sexta-feira no Parlamento não "inclui medidas do PS", mas dá sinais de "abertura de diálogo".

Passos no dia da tomada de posso do XX Governo Constitucional
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Passos no dia da tomada de posso do XX Governo Constitucional Daniel Rocha

O primeiro-ministro, Passos Coelho, assumiu nesta sexta-feira estar disposto a ir para a oposição, caso o Governo seja derrubado na próxima terça-feira.

"O que eu digo é que estarei onde for preciso", disse o líder social-democrata, depois de uma reunião de cerca de uma hora com os deputados do PSD e do CDS.

Passos Coelho foi questionado pelos jornalistas sobre se estaria disponível para liderar a oposição, caso seja aprovada uma moção de rejeição ao programa de Governo. “O que eu digo é que estarei onde for preciso: no Governo, que é o lugar natural que se espera de quem ganha as eleições, mas, se porventura não estiver no Governo e estiver na oposição, não deixarei de assumir as minhas responsabilidades”, afirmou. O primeiro-ministro sublinhou a ideia de que, se o actual Governo for derrubado, a culpa é do PS. “Se, porventura, não for primeiro-ministro no futuro, será pela vontade do PS e não pela vontade dos partidos da coligação”, repetiu por duas vezes.

Em resposta à mesma pergunta, o primeiro-ministro afirmou ainda que não vai deixar de exercer as funções para as quais foi empossado pelo Presidente da República, há uma semana. “Não vou abandonar o meu país, não vou desertar das minhas funções”, disse após a reunião em que também participou o líder do CDS e vice-primeiro-ministro Paulo Portas. O líder da coligação PSD/CDS lembrou que, na última legislatura, os dois partidos souberam “pôr as suas diferenças de lado”.

Relativamente às medidas aprovadas esta quinta-feira em Conselho de Ministros, Passos Coelho disse ter abertura para alterações que venham a ser propostas pelo PS. “As medidas aprovadas são projectos de diplomas para o Parlamento votar. É aqui que se negoceia”, disse, deixando, no entanto, uma advertência sobre futuras propostas.

“Nós não fazemos leilões. Nós temos restrições e [as propostas] não são nossas, são do país”, disse, numa alusão ao impacto financeiro dessas propostas. De qualquer forma, Passos Coelho deixou a porta aberta para a reposição de rendimentos ser mais rápida do que a proposta pelo Governo.

“Estamos abertos a aceitar que o rendimento dos portugueses seja reposto mais rápido. Mas isso exige contrapartidas, porque senão a despesa do Estado sobe [...] e isso paga-se”, afirmou, acrescentando que desconhece o que o Parlamento — com uma maioria de deputados de esquerda — vai exigir.

O primeiro-ministro mostrou, no entanto, que não está disponível para fazer derrapar o défice deste ano (3%) nem deixar que as contas públicas se descontrolem. “Agora que conseguimos pôr as contas em ordem, não vamos estragar essas contas”, rematou.

Relativamente ao programa de Governo, que será entregue esta sexta-feira no Parlamento, Passos Coelho disse que não "inclui medidas do PS", que é "no essencial o programa eleitoral da coligação", mas que dá sinais de "abertura de diálogo".