Os cosméticos Douro Skincare cheiram a uvas, a madeira, a chocolate e frutos silvestres

A DVINE é a primeira gama e o Vinho do Porto cheira-se logo na primeira aplicação. Vencedora de dois prémios, a marca é 100% portuguesa, não testa em animais e é apta para peles sensíveis

Em músicas ou em poemas, muitos artistas já glorificaram o Douro, mas a inspiração chegou agora ao mundo dos cosméticos. Mariana Andrade juntou-se a três colegas de curso e fundou a Douro Skincare, uma marca que utiliza ingredientes emblemáticos do Douro, Património da Humanidade desde 2001.

Cheira a uvas e a madeira com um leve aroma a chocolate e frutos silvestres: esta fragrância é um dos factores diferenciadores da marca portuguesa. A DVINE é a primeira gama desta empresa e o ingrediente utilizado para a representar só poderia ser o Vinho do Porto, um dos grandes símbolos do Douro. Esta linha foi lançada em Setembro de 2014, mas só passado um ano entrou no mercado da cosmética com 11 produtos de cuidado de rosto.

A Douro Skincare afirma-se como “cosmética de fusão”, aliando as melhores características de todos os tipos de cosméticos. A marca mistura na sua fórmula ingredientes de origem biológica, vegetal e natural com os componentes “clássicos de performance”, como o ácido hiaulurónico, a coenzima Q10 e o colagénio, indispensáveis para garantir um efeito anti-envelhecimento na pele.

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A Douro Skincare foi vencedora do Prémio Douro Empreendedor e ganhou uma distinção da revista Elle Douro Skincare

A empresa surgiu a partir de uma paixão pelos cosméticos que foi crescendo enquanto Mariana trabalhava numa farmácia. A jovem de 37 anos explicava os componentes e efeitos de vários cosméticos mas, na sua opinião, lidava mais com o marketing do que propriamente a área farmacêutica. Mariana Andrade gostava do que fazia, mas a sua formação em farmácia pedia algo mais. Assim, colocou em prática aquilo que aprendeu na sua licenciatura na Universidade do Porto, criando do zero uma marca de cosméticos. Reuniu mais três farmacêuticas com os mesmos valores, criaram fórmulas e desenvolveram produtos, surgindo, desta forma, a Douro Skincare.

“Temos características únicas no mercado”

Para as quatro jovens fazia sentido criar uma marca dedicada aos produtos do Douro. Esta região, ao nível do clima e do solo, tem características difíceis para as plantas conseguirem sobreviver. “Aqui só o melhor resiste, o que prova que os produtos têm mesmo qualidade e força”, explica Mariana. Neste mercado dinâmico e competitivo que é o mundo da beleza, são os produtos do Douro que diferenciam a marca: “Estes ingredientes são algo único e exclusivo do nosso país e da área dos cosméticos internacionais. Temos características únicas no mercado”, declara a empreendedora.

Mariana afirma que a inovação não está nas fórmulas ou embalagens. O que a empresa tem vindo a verificar é que, cada vez mais, os consumidores dão importância à origem dos produtos e ao respeito pelo meio ambiente. Testar em animais é algo impensável para as empreendedoras, as embalagens dos produtos são completamente recicláveis, com certificado EcoCert e as fórmulas dos produtos não contêm parabenos, produtos geneticamente modificados, silicones ou derivados de petróleo.

Para as jovens é necessário humanizar uma marca e decidiram que aquela imagem da modelo perfeita já não trazia nada de novo e nem sequer correspondia à realidade. Ana Moura representa bem o povo e a mulher portuguesa e foi por isso que a empresa escolheu a fadista para dar a cara pela Douro Skincare. Ana Moura é reconhecida dentro e fora de Portugal por ser uma voz do fado, considerado, em 2011, pela UNESCO, Património Oral e Imaterial da Humanidade.

O sucesso de Ana Moura é o mesmo que a empresa quer para os seus produtos. “Uma coisa é ter um produto que compramos uma vez, outra é ter um produto que gostamos muito e queremos comprar sempre que acaba”, diz a fundadora da marca. A empresa quer assim conquistar o mundo da beleza, através de várias sub-marcas da Douro Skincare que terão, cada uma, como base pelo menos um ingrediente ligado ao Douro e, claro, uma aplicação diferente e eficaz na pele.

Combater o envelhecimento com cheiro a vinho do Porto

A DVINE foi a primeira sub-marca a ser criada e a fragrância do vinho do Porto é o elemento principal pois, de todos os produtos do Douro, este era o que mais se destacava. A empresa quer render os consumidores a este aroma conhecido mundialmente, o qual ficou registado como Portwine DNA (Douro Nuclear Aroma). A marca frisa que o vinho não é utilizado nas fórmulas mas sim o seu aroma e até mesmo as peles sensíveis e intolerantes a fragrâncias podem utilizá-lo.

A DVINE valoriza todos os sentidos e dá destaque ao aroma, à textura e à cor dos produtos. Desta forma, é possível sentir o Douro na pele. São 11 produtos de cuidado de rosto divididos em duas linhas com cores e aromas diferentes que prometem suspender os efeitos do envelhecimento da pele, preservar a pele das agressões ambientais e da desidratação. A Light Harvest é composta por sete produtos, com uma cor arroxeada que faz lembrar as uvas do Douro e a Gold Harvest tem quatro produtos dedicados a peles mais envelhecidas, enriquecidos com ouro de 24 quilates, proporcionando uma cor dourada à fórmula.

Estas duas linhas da DVINE estão desde Setembro deste ano, à venda em farmácias e parafarmácias, assim como em algumas lojas online de cosméticos. Esta é uma gama com produtos pensados para a pele das mulheres, com mais de 30 anos e da classe A ou B, visto que o preço de aquisição é médio-alto. 

No futuro, a Douro Skincare quer criar uma loja online própria para os seus produtos e quer conceber outras sub-marcas, onde o azeite, a amêndoa e os frutos silvestres serão os elementos principais. Mas antes disso, a DVINE ainda tem muito para explorar e desenvolver-se: “Neste momento só temos cuidados de rosto e temos mais quatro produtos pensados para 2016. Também queremos apostar em cuidados para o corpo, já que é algo que nos pedem muito, principalmente os spas e os hotéis”, diz Mariana Andrade.

Exportar e conquistar o mercado internacional também é um objectivo. Há uma possível entrada na Rússia, Roménia e Eslovénia, apesar de Mariana achar que a Europa é um mercado muito competitivo e exigente, com inúmeras marcas de referência. O Brasil é uma grande aposta que será feita numa “fase mais madura da marca”.

A maior dificuldade que a Douro Skincare tem verificado é o alto investimento que tem-se de tomar para criar e desenvolver cosméticos. A marca teve um investimento inicial de 400 mil euros e até teve uma campanha no Indiegogo, que não foi bem-sucedida. Contudo, a empresa conseguiu conquistar o Prémio Douro Empreendedor de 2014, na categoria Novas Empresas e um dos seus produtos, o sérum Gold Harvest, ganhou uma distinção pela revista de moda Elle como melhor produto de cosmética lançado no ano 2014.