FPF vai investigar alegadas ofertas do Benfica a árbitros

Acusações de Bruno de Carvalho já começaram a aquecer o derby da Luz. APAF desafia líder leonino a provar suposto aliciamento aos seus sócios.

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Falta pouco mais de duas semanas para o “derby” entre Benfica e Sporting, mas o clássico já começou a aquecer o ambiente futebolístico nacional, depois do presidente “leonino” Bruno de Carvalho ter acusado os responsáveis do clube “encarnado” de oferecerem prendas a árbitros, delegados e observadores. Em causa está um pacote entregue em cada jogo disputado no Estádio da Luz (ou no Seixal), contendo uma camisola da equipa e "vouchers" para jantares que, segundo o líder sportinguista, representa anualmente cerca de 250 mil euros. O caso está a ser analisado pela Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) e será investigado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

"Estamos a analisar essas declarações, que são muito recentes. Aquilo que jamais iremos admitir é que ponham em causa a idoneidade das nossas equipas de arbitragem. Se têm algo que possam provar, que o provem, porque nós seremos também os primeiros a fazê-lo”, garantiu na terça-feira José Fontelas Gomes, presidente da APAF, em declarações à agência Lusa, asseverando que “os árbitros cumprem à risca as instruções do código de ética da UEFA”.

Os regulamentos da UEFA estipulam, a esse respeito, que os juízes podem apenas aceitar ofertas até um valor máximo de 200 francos suíços, correspondentes a 183 euros. Segundo o PÚBLICO apurou, as acusações de Bruno de Carvalho estão também a ser analisadas pelo Conselho de Arbitragem (CA) da FPF, que as irá remeter para o Conselho de Disciplina.

Na génese de mais esta polémica no futebol português estão as declarações proferidas pelo presidente do Sporting no programa Prolongamento, da TVI24, na madrugada de terça-feira, sugerindo que o rival pode estar a aliciar árbitros. No decorrer da entrevista, o responsável máximo do clube de Alvalade retirou de um saco de plástico uma caixa com a imagem de Eusébio, que continha uma camisola do Benfica e um voucher em que era oferecida uma visita ao Museu Cosme Damião e quatro jantares a cada um dos quatro árbitros nomeados para os encontros disputados no Estádio da Luz e no centro de estágios do Seixal, assim como aos dois delegados e ao observador de jogo.

“Isto é algo que me foi deixado no Sporting Clube de Portugal, num envelope anónimo”, começou por dizer Bruno de Carvalho. “Esta prenda dá 28 jantares por jogo, que podem orçar entre os 500 e 600 euros. Só em jantares deve rondar os 140 mil euros por época, mais as camisolas e as próprias caixas. Deve tudo rondar um quarto de milhão [por temporada]”, revelou, considerando que a Liga e a FPF devem pronunciar-se sobre o assunto: “Não estou a dizer se isto é certo ou errado, mas quem de direito em Portugal tem de achar se isto é normal, se é correcto.

Benfica não vai reagir
Bruno de Carvalho aproveitou também para garantir que o Sporting não honra os árbitros com este tipo de presentes. “Quando nos pedem uma camisolinha do jogo, damos. É normal. Deixamos também comida no balneário e, às vezes, vai lá o fisioterapeuta, caso se lesionem”, referiu, considerando que, caso a informação anónima que recebeu seja falsa, “o Benfica só tem de desmentir em comunicado oficial.”

De momento, porém, o presidente dos “leões” irá ficar sem resposta, já que o clube da Luz não irá reagir nem em comunicado nem com qualquer acção legal.

Uma fonte do Conselho de Arbitragem da FPF desvalorizou ao PÚBLICO o caso espoletado por Bruno de Carvalho e o significado das supostas prendas oferecidas pelo clube da Luz. Segundo este elemento, a oferta de camisolas é uma prática corrente em praticamente todos os clubes, não encontrando também qualquer anormalidade nos vouchers que as acompanham, sugerindo até que a maioria dos presenteados nem os deverá utilizar. E, mesmo que alguns o façam, entende a mesma fonte que nunca se sentiriam coagidos a alterar a sua objectividade durante as partidas de futebol em causa.

O Benfica, aliás, já 
viu um processo idêntico ser arquivado em 2008, depois de um árbitro ter revelado que recebeu uma "peça de cristal". com Nuno Sousa