André Lourenço e Silva, o “utópico” que chegou ao Parlamento

Sem falar para já de alianças ou posicionamentos à esquerda ou à direita, o deputado eleito por Lisboa diz que o PAN vai dialogar com os outros partidos, tendo em vista a “paz social e a estabilidade política”.

O PAN elegeu André Lourenço e Silva por Lisboa
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O PAN elegeu André Lourenço e Silva por Lisboa Enric Vives-Rubio

Não foi fácil conseguir 15 minutos para o deputado eleito pelo Pessoas-Animais-Natureza (PAN), André Lourenço e Silva, conversar com o PÚBLICO, os pedidos de entrevista sucederam-se no dia a seguir às eleições legislativas. Tudo porque o PAN é mais recente força política do Parlamento, onde desde 1999 não entrava, em listas próprias, um novo partido.

Tem 39 anos, é formado em Engenharia Civil, com especialização em recuperação do património arquitectónico e artístico, e é “um sonhador, um utópico” assumido que quer sentar-se na primeira fila do hemiciclo, para ter a necessária “visibilidade”.

Apesar de o PAN defender que “a política não se pode subjugar à economia”, que se deve reduzir o número de horas de trabalho para 30, fazer uma auditoria à dívida e, depois, eventualmente renegociá-la, André Lourenço e Silva garante que o partido é de causas e não se situa nem à direita, nem à esquerda.

Sobre eventuais alianças ou entendimentos, diz apenas que o PAN terá “uma postura responsável” e está “disponível para fazer parte da solução”. Para já, “vai sentar-se à mesa com todos os partidos” e dialogar: “Antes desse diálogo, não vai dizer já dizer se vai chumbar ou viabilizar qualquer tipo de proposta.” O que interessa, nota, é que haja “paz social e estabilidade política” e que os partidos se unam “em torno dos problemas dos portugueses”.

O que os resultados destas eleições mostraram, frisa o deputado eleito por Lisboa, é que os portugueses “não querem mais maiorias absolutas”, mas antes que as “várias forças políticas entrem em diálogo”. E deixa um apelo para que “os partidos do arco da governação deixem de tapar os ouvidos e ouçam estas forças políticas que acrescentam valor à democracia.”

O facto de o PAN ter chegado ao Parlamento (1,4% dos votos) confirma, diz, a vontade que as pessoas têm de ver incluídas na política as palavras “compaixão, harmonia, estabilidade”. Além disso, coloca Portugal no “movimento internacional” de defesa destas causas e em consonância com outros países europeus, como a Holanda, exemplifica.

Entre muitas outras propostas, o PAN defende a criação de um IVA da distância sobre produtos, tendo em conta o seu gasto da origem até à distribuição; o fim dos apoios à indústria agro-pecuária, à agricultura sintética ou convencional; a criação de taxas sobre produtos com alto impacto ambiental e a discriminação positiva da agricultura biológica.

André Lourenço e Silva – que é vegetariano, tem um cão chamado Nilo, faz mergulho e biodanza – não ficou surpreendido por ter sido eleito. No PAN, até estavam à espera de eleger outro deputado pelo Porto. Essa foi a única amargura da noite e é, por isso, que o PAN defende a redução dos círculos eleitorais. Para que “os partidos mais pequenos consigam eleger” e para dar mais “pluralidade” ao Parlamento.