Ricardo Araújo Pereira com Antonio Tabet, ou Uma Nêspera no Cu – isto é o Famous Fest

Em Alcântara, dividido entre a LX Factory e o Village Underground, acontece nesta sexta-feira e sábado mais uma edição do Famous Fest. Este ano, com um programa que procura dar-nos mais do que sessões de humor.

A sessão de Bruno Nogueira, Filipe Melo e Nuno Markl, <i>Uma Nêspera no Cu</i>, já está esgotada
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A sessão de Bruno Nogueira, Filipe Melo e Nuno Markl, Uma Nêspera no Cu, já está esgotada Rui Gaudêncio

O Famous Humour Fest perdeu este ano o Humour no nome, mas não o humor na programação. Continua a ser um festival onde o riso é primordial, mas à 5ª edição não se fica apenas pelos espectáculos e sessões de humor para nos dar também concertos ou exposições. Wasted Rita, por exemplo, a portuguesa que Banksy veio buscar para a sua Dismaland, terá toda uma parede do Village Underground para as suas frases cáusticas. Ao lado, na vizinha LX Factory, acontecem sessões como uma conversa entre Ricardo Araújo Pereira e Antonio Tabet, da Porta dos Fundos, ou a transposição para o palco do podcast de Bruno Nogueira, Filipe Melo e Nuno Markl, Uma Nêspera no Cu.

O slogan do festival diz-nos para esperarmos o inesperado, e sabemos que é verdade apenas olhando para o programa. Quem já ouviu o podcast de Bruno Nogueira, Filipe Melo e Nuno Markl – foram mais de um milhão os que já o fizeram –, sabe que tudo pode acontecer em Uma Nêspera no Cu. Uma espécie de jogo, “preferias isto ou aquilo”, onde cabe qualquer coisa, literalmente. Sem vergonhas, sem tabus, com alguns palavrões à mistura e, semanalmente, com convidados. Foi assim durante oito episódios, e será também assim neste sábado, no palco do Famous Fest.

“Eu sei o quanto eles gostam de fazer aquilo; é um projecto que lhes dá tanto gozo que comecei a desafiá-los. Andei dois ou três meses a mandar-lhes mensagens a dizer que fazer o Nêspera no festival é que era, e eles lá acabaram por aceitar”, diz ao PÚBLICO Hugo Nóbrega, promotor e programador do Famous Fest.

“Temos de ser um bocadinho persistentes para convencer os artistas a estrearem-se com formatos diferentes”, continua o programador, contando que os bilhetes para este espectáculo já esgotaram há uns dias. “Curiosamente o Nêspera, que pusemos numa sessão mais tarde [às 00h30] para dar um lado underground, até um bocado imoral, foi o primeiro a esgotar. Realmente há um culto: bastou eles partilharem que iam fazer esta sessão, e esse culto apareceu logo.”

À semelhança do que acontece no podcast, Nogueira, Markl e Melo vão ter convidados em palco. Quem, é que ainda não se sabe. “A única coisa que posso dizer é que eles vão ter um formato maior do que é habitual. É uma produção que não pára de crescer”, revela Nóbrega, para quem o Famous Fest se distingue por apresentar espectáculos especialmente pensados para o festival. “Conseguimos fazer sempre estreias e até apresentar espectáculos que só acontecem uma vez”, explica. “Este ano assumimos muito mais essa responsabilidade. Nunca quisemos ter um formato de repetição de espectáculos de humor e de comédia que já existem, mesmo com o risco de às vezes o que apresentamos não ser bem um espectáculo, são momentos inesperados, sessões.”

É certamente isso que vai acontecer esta sexta-feira, às 22h, com Ricardo Araújo Pereira e Antonio Tabet, argumentista e actor do colectivo brasileiro Porta dos Fundos, em Isto não é um duelo nem um dueto. Perguntamos a Tabet do que se trata, então: “Sou eu puxando o saco dele, do Ricardo”. “Não sei se existe essa expressão em Portugal, 'puxar o saco' é bajular. Tenho muito interesse em saber do Ricardo, eu sou muito fã dele”, diz ao PÚBLICO, numa conversa ao telefone desde o Brasil.

Hugo Nóbrega conta que a ideia de juntar os dois humoristas surgiu depois de, no ano passado, Tabet ter lamentado não ter tido muito tempo para falar com Ricardo Araújo Pereira durante o Festival Porta dos Fundos, no qual os dois participaram. “Eu até achei que ia fazer o Show do Kibe, que é quase um falso talk-show que Tabet tem no Brasil, mas entretanto evoluiu para este conceito”, conta o programador.

“No Show do Kibe, eu entrevisto os convidados sem eles saberem que estão a ser entrevistados. Essa é a brincadeira. Com o Ricardo, evidentemente não vou poder fazer isto, mas acredito que, pelo interesse que tenho nele como comediante, como cronista, como escritor, como tudo o que ele é, naturalmente vou entrevistá-lo. Tenho muita vontade de absorver o máximo possível dele”, conta.

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Antonio Tabet não combinou nada com Ricardo Araújo Pereira DR

Tabet e Araújo Pereira, que actualmente podemos ver em Isto é tudo muito bonito, mas..., na TVI, ainda não falaram sobre o que vai acontecer esta noite, até porque muito provavelmente será tudo improvisado. “Não combinámos nada”, diz Tabet, referindo ter, no entanto, alguns temas em mente: “Quero debater assuntos que são pertinentes nas abordagens da Porta dos Fundos, mas também no trabalho do Ricardo, como a religião ou a política”. “Quero falar inclusive de futebol, porque sei que ele é um aficionado do Benfica, e eu sou do Flamengo e quero perceber porque é que volta e meia eles compram os nossos jogadores.”

Vai ser uma competição para ver quem tem mais piada?  perguntamos-lhe. “Duvido. Da minha parte não, tenho a certeza que ele tem muito mais piada do que eu.” Porquê? “Eu acho o Ricardo hilário, ele fala sobre assuntos que variam de pudins a moscas varejeiras, é bestial”, diz, afirmando-se uma pessoa mais de histórias do que de piadas. “Ele é um cara muito, muito engraçado, e é rápido no gatilho. Vamos ver ao vivo o que acontece”, acrescenta o humorista brasileiro.

Mas de outros encontros se faz também este festival. Ainda na noite desta sexta-feira, Pedro Tantanka, dos The Black Mamba, Luísa Sobral e Miguel Araújo partilharão o palco para um concerto, também ele inédito – e talvez inesperado. Depois, a festa continua do outro lado, no Village Underground – pela primeira vez os dois espaços de Lisboa estão ligados através de umas escadas –, com RubiTocha (da dupla Tocha Pestana) ou DJ Marfox.

No sábado, antes de Uma Nêspera no Cu, Nuno Markl leva-nos numa viagem aos anos 1980, e a todos os guilty pleasures que isso implica, com o seu parceiro de rádio Vasco Palmeirim. Na música, mais um encontro: Manuel João Vieira, Gisela João e Filipe Melo. Batida, ou seja, o luso-angolano Pedro Coquenão, encerra as festividades.

Os bilhetes para os diferentes espectáculos podem ser comprados nos locais habituais e os preços variam conforme as sessões escolhidas.

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