Nelson Évora arrebata o bronze com elevada nota artística

Português conseguiu a marca de 17,52 metros nos campeonatos do mundo de atletismo, em Pequim.

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Nelson Évora no momento do salto que lhe deu o terceiro lugar na prova ADRIAN DENNIS/AFP
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Afinal, aos 31 anos, Nelson Évora ainda consegue ganhar medalhas a nível mundial no triplo salto e isso foi confirmado num final dramático da disciplina, incluída na sexta jornada dos Mundiais de atletismo de Pequim. Na derradeira possibilidade de que dispunha e ao cabo de uma prova longa e desgastante, o português voltou a ser capaz de chegar a um pódio mundial e com um resultado que não era previsível, de 17,52m, que superou largamente tudo o que havia feito no seu regresso à competição, há cerca de dois anos, após larga paragem para duas cirurgias e períodos de difícil recuperação.

O salto do atleta do Benfica, treinado por João Ganço desde os seus primórdios no atletismo, permitiu-lhe fechar a colecção de medalhas em campeonatos do mundo, depois do ouro em Osaca, em 2007, quando estabeleceu o seu recorde nacional até hoje válido de 17,74m, e da prata, dois anos volvidos em Berlim, ao atingir 17,55m. De permeio ficou o título olímpico no mesmo estádio, o Ninho de Pássaro, onde nesta quinta-feira brilhou de novo a grande altura, conseguido graças a um salto de 17,67m.

A marca desta quinta-feira passou a ser a sexta melhor da sua carreira, depois das citadas e de outras duas em meetings do ano de 2009, como os 17,66m em Belém do Pará, no Brasil, a 24 de Maio desse ano, e os 17,59m em Leiria, quase um mês depois, a 21 de Junho.

Após ter obtido um inédito título europeu de pista coberta em Praga, em Março passado, Nelson Évora obtivera 17,24m como a sua melhor marca ao ar livre até aos Mundiais de Pequim e era sabido que, em princípio, uma eventual medalha poderia ser a de bronze, dado que o americano Christian Taylor e o cubano Pedro Pablo Pichardo foram dominadores durante toda a temporada, passando ambos os 18 metros.

De facto, a luta entre estes dois acabou por decidir o concurso, com Pichardo na frente desde o início (17,52m e 17,60m), depois com Taylor a passar para a liderança ao quarto salto (17,68m), para no ensaio final, com o cubano ainda a poder responder, o americano arrancar o segundo melhor resultado da história, com 18,21m, para pôr uma pedra em cima da competição. Pichardo terminou com 17,73m, mas já não havia resposta para o monumental desempenho do campeão olímpico.

Nelson Évora entrou muito determinado e abriu logo com 17,28m, melhorando em quatro centímetros o seu resultado de 2015. Com um nulo ao segundo salto, o português ficou provisoriamente fora do pódio, mas recuperou o terceiro lugar à terceira tentativa, com 17,29m. Foi então que entrou em acção o campeão americano Omar Craddock, voltando a arrancar Nelson das medalhas, com 17,37m. E eis que, no último ensaio, chegou o salto sensacional a 17,52m, com o português a notabilizar-se de novo pela fase intermédia da sua sequência de três saltos, para chegar ao bronze com grande nota artística.

“Foi rasgadinho até ao fim. Foi uma competição muito dura. Não esperava que tivesse de fazer o melhor salto no último ensaio, mas estou muito feliz por ter acontecido assim”, reagiu Nelson Évora, em declarações à Antena 1. “Eu sei como são estas competições, é importante fazer bons saltos logo no início, mas fiz o melhor resultado da época, ganhei uma medalha e não podia estar mais satisfeito”, prosseguiu.

Olhando para o futuro, e em particular para os Jogos Olímpicos de 2016, o triplista do Benfica mostra ambição e aponta para a fasquia dos 18m. “Agora tenho de reaprender a voar. Esta prova já foi um exemplo disso, mas foi um voo baixinho, porque ambiciono fazer outros voos”.