Soldados americanos impedem ataque de metralhadora num TGV com destino a Paris

Suspeita-se que o homem armado seja um marroquino de 26 anos com ligações a movimentos extremistas islâmicos. Tinha duas malas com armas, munições e facas.

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Polícia francesa analisa o comboio de alta velocidade, depois do ataque frustrado Pascal Rossignol/Reuters
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Da esquerda para a direita: Anthony Sadler, Alek Skarlatos e Chris Norman Pascal Rossignol/Reuters
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Spencer Stone ficou ferido no confronto com o atacante REUTERS/Stringer

Um homem abriu fogo de metralhadora num comboio de alta-velocidade com destino a Paris, na noite de sexta-feira, mas foi impedido de prosseguir o ataque por dois soldados norte-americanos que estavam na carruagem e que o dominaram quando a sua arma encravou. Duas pessoas ficaram feridas, incluindo um dos norte-americanos, e o atacante está a ser questionado pela polícia de combate ao terrorismo francesa, de quem já era conhecido por ligações a extremistas islâmicos.

O homem não foi oficialmente identificado, mas o ministro francês do Interior declarou que pode ser um indivíduo de 26 anos, de nacionalidade marroquina, conhecido por ligações “ao movimento radical islamista” desde Fevereiro de 2014 – fazia parte de uma lista com centenas de suspeitos, segundo o Libération. Bernard Cazeneuve, contudo, disse aos jornalistas neste sábado que a sua identidade tem ainda de ser confirmada.

Segundo o El País, o seu nome é Ayoub El Kahzzani e viveu durante cerca de um ano no Sul de Espanha, em Cádis. Mudou-se para a França no início de 2014. Foi então que os serviços secretos espanhóis comunicaram às autoridades francesas e belgas que Kahzzani se tratava de um indivíduo "muito radical e potencialmente perigoso". O Governo francês confirma que o marroquino tinha consigo duas malas com armas. Para além da metralhadora Kalashnikov que ainda disparou, o homem tinha também uma pistola automática, munições e uma faca. 

A ordem dos acontecimentos foi relatada ao Guardian por um terceiro norte-americano, não militar e amigo de infância dos dois soldados, que ajudou também a controlar o atacante, e por outras testemunhas a bordo. O homem armado disparou a sua metralhadora Kalashnikov na última carruagem do TGV que fazia a ligação de Amesterdão a Paris, não mais do que alguns disparos, e partiu uma janela, que fez feridos ligeiros.

A metralhadora encravou e o homem entrou então na penúltima carruagem, onde viajavam os três norte-americanos: Anthony Sadler, estudante; Alek Skarlatos, que acabara de regressar do Afeganistão pela guarda nacional; e Spencer Stone, da Força Aérea norte-americana. O indivíduo estava a tentar desencravar a arma para prosseguir o ataque.

“À medida que ele estava a tentar armá-la para a disparar, o Alek grita: ‘Spencer, vai!’, e o Spencer começa a correr pelo corredor fora”, disse ao diário britânico Anthony Sadler, o amigo dos dois militares. “O Spencer chega lá primeiro e ataca o homem, o Alek tira-lhe a arma das mãos e o homem saca de um xis-acto e corta o Spencer algumas vezes na mão”. É neste momento que acontecem os piores ferimentos de sexta-feira. Spencer Stone foi hospitalizado com ferimentos graves na mão e teve de ser operado.

Sadler foi ajudar os dois amigos e, juntos, agrediram o homem até este ficar inconsciente. Tiveram também a ajuda do britânico Chris Norman, que contou a sua parte da história ao Guardian: “[O homem] cortou o Spencer atrás do pescoço e quase lhe cortava fora o polegar também. O Spencer segurou-o e conseguimos eventualmente controlá-lo. Ficou inconsciente, creio.”

Alek Skarlatos falou com a televisão britânica Sky News sobre o sucedido. “Se a arma daquele tipo estivesse a funcionar devidamente, não quero sequer pensar em como aquilo poderia ter corrido”, explicou.

A esta altura, o alarme do TGV já fora accionado. O comboio fez uma paragem de emergência minutos mais tarde em Arras, no Norte da França, perto da fronteira com a Bélgica. No local, o ministro francês do Interior agradeceu a “grande coragem” dos dois soldados norte-americanos ao “neutralizarem este passageiro extremamente violento”. “Sem o seu sangue-frio poderíamos confrontar-nos agora com uma tragédia horrível.”

A Casa Branca usou o mesmo tom. Num comunicado, o gabinete da presidência afirma que Barack Obama “expressou a sua mais profunda gratidão pela coragem e pela reacção rápida de vários passageiros, incluindo membros do exército norte-americano, que, altruístas, subjugaram o atacante”.