Municípios e concessionária de barragem criam grupo de trabalho sobre o Rio Minho

Câmaras da bacia do Minho tinham acusado Gas Natural Fenosa de não respeitar os caudais.

Os municípios da bacia do Minho exigem melhor informação sobre os caudais libertados na Barragem da Frieira
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Os municípios da bacia do Minho exigem melhor informação sobre os caudais libertados na Barragem da Frieira Adriano Miranda

Uma associação transfronteiriça constituída por 16 municípios portugueses e galegos e a Gas Natural Fenosa, concessionária da barragem da Frieira (Galiza) vão estudar o caudal do rio Minho para proteger os ecossistemas daquele curso internacional de água.

Em comunicado enviado à Lusa esta quinta-feira, a Associação do Vale do Minho Transfronteiriço (Uniminho) explica que a criação do grupo de trabalho foi decidida numa reunião realizada na semana passada, estando agendado para Setembro um novo encontro entre as partes.

Em Maio, a Uniminho acusou a Gas Natural Fenosa, de "má gestão" dos caudais do rio, "que em determinados períodos do ano apresentam uma redução significativa", provocando "graves lesões" nos ecossistemas daquele curso internacional.Apesar de "não ser possível estabelecer uma relação entre o caudal ecológico do Embalse da Frieira, e o caudal natural instantâneo registado em Salvaterra do Miño", a associação transfronteiriça denunciou "a existência de indicadores que violam a gestão do caudal ecológico do rio".

O grupo de trabalho a criar, que envolverá as duas partes, o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), e a Universidade de Santiago, em articulação com o Aquamuseu do Rio Minho, situado em Vila Nova de Cerveira, vai "reavaliar o regime de caudais, tendo em conta o impacto no ecossistema", lê-se na nota hoje enviada à Lusa.

Apesar das "preocupações com a degradação da qualidade ambiental" manifestada pela Uniminho, e da garantia de "cumprimento de todas as condicionantes exigidas, entre elas a garantia do caudal ecológico" apresentada pela multinacional eléctrica espanhola, "as duas entidades reconhecem dificuldades ao nível da informação e gestão deste processo de grande importância para o território transfronteiriço".

Nesse sentido, as duas partes acordaram, na reunião realizada em Melgaço, "avançar com um estudo estratégico da evolução do rio Minho e das medidas proativas que devem ser tomadas para a redução do impacto ambiental da barragem e para que toda a bacia hidrográfica em questão seja cada vez mais uma mais-valia para entidades e populações".

A Gas Natural Fenosa é a concessionária da barragem da Frieira e das centrais hidráulicas de Frieira e Frieira Caudal Ecológico, cujo funcionamento é regulado pelo Sistema Eléctrico Nacional e abrange o pólo sul da Província de Pontevedra e o Norte de Portugal.