Proença quer iniciar “um capítulo de esperança” no futebol profissional

O ex-árbitro internacional recebeu 58,2% dos votos dos clubes e é o novo presidente da Liga.

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O ex-árbitro foi o vencedor de umas eleições com resultado equilibrado Ricardo Castelo\Nfactos

Pedro Proença é o novo homem forte do futebol profissional português. O ex-árbitro foi eleito para a presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) com 58,2% dos votos, contra os 41,8% de Luís Duque. No discurso de vitória, Proença disse querer “valorizar o espectáculo” e “aumentar o valor e a reputação da marca futebol”. Duque, que abandona o cargo ao fim de nove meses, deixou um apelo para que o novo presidente tenha “as mesmas condições” que teve durante o seu mandato.

As previsões apontavam para uma disputa renhida e foi isso mesmo que aconteceu. Recebendo o apoio de 12 dos 18 clubes da I Liga, que tinham direito a dois votos, e oito dos emblemas da II Liga, Pedro Proença foi eleito para o quadriénio 2015-2019. Para a Assembleia Geral, a Lista A, a única apresentada, recebeu 50 dos 55 votos, com José Mendes a manter-se à frente do órgão, enquanto Carlos Pinto de Carvalho liderará o Conselho Fiscal, depois de ter recebido 48 votos. Com duas listas a apresentar-se a sufrágio, a eleição para o Conselho Jurisdicional foi muito equilibrada, com a lista apresentada por Proença a receber 29 votos, mais três do que os nomes apresentados por Duque.

Cerca de uma hora e meia depois de ser anunciado vencedor, Proença fez uma curta declaração sem direito a perguntas, na qual começou por dizer que este é o início de “um capítulo de esperança”. Voltando a reforçar que “credibilizar, criar valor e internacionalizar” são os valores que defende e pelos quais se baterá nos próximos quatro anos, o novo presidente da LPFP quer que o organismo seja “sinónimo de credibilidade, profissionalismo e competência” e seja “capaz de valorizar o espectáculo, aumentar o valor e a reputação da marca futebol para gerar mais receitas para os clubes”. “Acredito poder reunir em torno deste objectivo todos os clubes sem excepção. Será possível encontrar uma solução de convergência. Serei o presidente de todos os clubes, sem excepção”, concluiu.

Nove meses e dois dias depois de ser eleito para presidente da LPFP com o apoio de uma maioria expressiva dos clubes, Luís Duque reagiu com um discurso moderado na hora da derrota. O dirigente começou por fazer “um apelo público a todos os clubes que se unam à volta da LPFP” e disse esperar que o novo presidente tenha “as mesmas condições” que teve durante o seu mandato. “Espero que as divisões se tenham esgotado hoje [ontem]. Havia dois projectos a sufrágio, com duas orientações distintas sobre a forma como a LPFP devia ser gerida. Foi sufragado Pedro Proença e é importante que os clubes voltem a estar com a LPFP.”

Garantindo que não se sente “traído”, Duque referiu que apenas se recandidatou “pelo impulso” que recebeu “da maioria dos clubes”, tendo ainda comentado alguns ataques de que foi alvo: “Quando estamos em campanha, esse tipo de situações pode acontecer. Se uma ou outra vez se resvalou para ataques pessoais, é lamentável, mas faz parte da excitação da época.”

Nas reacções ao resultado, Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, congratulou-se com a eleição do ex-árbitro Pedro Proença: “Os clubes podem olhar para o futuro com mais esperança e tenho a certeza que todos juntos faremos uma Liga melhor, mais forte e capaz de se modernizar e de se expandir.” António Salvador, apoiante de Duque, afirmou que “o primeiro passo de Pedro Proença deverá passar por unir e pacificar todos os clubes”. “Esperamos que haja uma união total entre os clubes, mesmo sabendo que vai ser difícil”, acrescentou o presidente do Sporting de Braga.