Visitantes dos museus e palácios crescem 10%, mas Museu de Arte Antiga lidera perdas

Mais de 1,8 milhões de entradas em museus, palácios e monumentos no primeiro semestre de 2015. Em Sintra, o aumento é de 19% e o número de visitantes já ronda um milhão.

A paisagem nórdica, no Museu Nacional de Arte Antiga, fez 80 mil visitantes
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A paisagem nórdica, no Museu Nacional de Arte Antiga, fez 80 mil visitantes Nuno Ferreira Santos

A Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) revelou na sexta-feira os números de visitantes que fizeram os museus, palácios e outros monumentos que lhe estão afectos no primeiro semestre deste ano. O panorama geral, com mais de 1,8 milhões de entradas, aponta para um crescimento de 10% face ao mesmo período de 2014.

Entre os quase 25 equipamentos culturais sob a tutela da DGPC o que mais cresceu em visitantes foi o Museu Nacional de Etnologia (42,6%), ficando-se nos nove mil, um número apesar de tudo bastante reduzido quando comparado com o do Convento de Cristo, em Tomar (aumento de 25,9%), com mais de cem mil, ou com o do novo Museu Nacional dos Coches (21,5%), que foi inaugurado em Maio e que estará a beneficiar de um clima de curiosidade inicial, tendo já atraído mais de 120 mil pessoas nos primeiros seis meses do ano. 

Não é para já possível reflectir sobre o impacto do novo Museu dos Coches no fluxo de públicos porque, inesperadamente, a DGPC não divulga ainda o número de bilhetes vendidos desde Maio para o edifício desenhado pelo arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha. Mas Maria Resende, assessora de comunicação do Património, disse ao PÚBLICO que “o incremento de 21,5% se deve praticamente à abertura do novo edifício” e prometeu disponibilizar dados descriminados – o antigo edifício do museu continua em funcionamento – na próxima semana. 

Com um crescimento bem mais expressivo do que os Coches estão o Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, e o da Música, em Lisboa. O primeiro, que reabriu em 2012 depois de um ambicioso projecto de requalificação que já lhe valeu um prémio internacional, viu o seu público subir 39,4%, para uma cifra que ultrapassa os 39 mil. O segundo, com quase oito mil visitantes nestes primeiros seis meses do ano, cresceu 36,2%.

No pólo oposto, o dos museus em perda no que toca a entradas, a lista é encabeçada pelo Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), com 80.591 (-43,7%), seguido do Museu de Arte Popular (7.708; -12,1%) e do Museu Nacional do Teatro (22.468; -10,3%). 

António Filipe Pimentel, director do MNAA, diz que este quebra é natural porque os números do primeiro semestre de 2014 correspondem a um “pico extraordinário” que a sua equipa sabia já não ser possível manter. “A exposição da paisagem nórdica do Museu do Prado e a das jóias de Goa – esta com 81.562 entradas – foram muitíssimo visitadas e sabíamos que esse grau de atracção não seria  fácil de replicar”, reconhece ao PÚBLICO. “O que aqui importa reter é que o museu tem vindo a consolidar o seu crescimento, a aumentar a sua visibilidade junto dos públicos nacionais e estrangeiros. É claro que as exposições temporárias como a do Prado criam óptimas dinâmicas, mas o museu existe além delas.”

A paisagem nórdica, patente entre 3 de Dezembro de 2013 e 6 de Abril de 2014, fez 80 mil visitantes, ao passo que a mostra que veio ocupar o seu lugar, praticamente com a mesma duração (de 29 de Novembro de 2014 a 12 de Abril de 2015), a da colecção do editor e bibliófilo italiano Franco Maria Ricci, não chegou aos 17 mil, número que a exposição que o museu neste momento dedica à pintora portuguesa Josefa de Óbidos já deverá ter ultrapassado (não há dados actualizados, mas no primeiro mês – abriu em meados de Maio – foi vista por dez mil pessoas, segundo o MNAA). 

“A exposição do Franco Maria Ricci – maravilhosa e que pôs o museu no calendário internacional de exposições – esteve longe de ser um sucesso de públicos porque a comunicação não correu bem”, explica ainda o director, sublinhando o facto de, por falta de orçamento para programação, o museu e a sua equipa estarem sempre “reféns” de parceiros externos, neste caso produtoras independentes, para a divulgação. “No caso do Ricci isso pesou negativamente. Os Saboias [exposição Os Saboias: Reis e Mecenas] também não correram tão bem como a paisagem.”

Sintra cresce 19%

Detalhado o número global de visitantes – os tais 1,8 milhões – a conclusão é óbvia: o aumento de 10% deve-se, sobretudo, aos monumentos da DGPC, que cresceram 15,7%, com o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém a serem, como é costume, os mais populares: o primeiro ultrapassou já a barreira das 440 mil entradas, um aumento de 19,8% face a 2014, e a segunda subiu 17,7%, para mais de 285 mil. O crescimento nos museus é, por enquanto (estes números não contam ainda com os turistas dos meses de Verão), residual: 0,3%.

Rivais dos Jerónimos em números são o Parque e o Palácio Nacional da Pena, os campeões de visitantes dos equipamentos à guarda da Parques de Sintra/Monte da Lua, a empresa de capitais públicos criada em 2000 para gerir a paisagem classificada como património mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO na sigla em inglês). 

Com 445 mil entradas, o parque e o palácio são responsáveis por quase metade dos 955 mil visitantes que os sete equipamentos geridos pela Monte da Lua totalizam, valor que representa um crescimento de 19% em relação ao período homólogo de 2014.

Parque e palácio tiveram uma subida de 24%, tal como o Castelo dos Mouros, que no primeiro semestre deste ano foi visitado por 146 mil pessoas. Os equipamentos menos concorridos sob tutela desta empresa são o Chalet da Condessa d’Edla (nove mil) e o Convento dos Capuchos (14 mil). O Palácio Nacional de Sintra, com 230 mil entradas, cresceu, para já, 12%.

No segundo semestre do ano os números poderão ser mais generosos por causa dos meses de Verão e dos turistas que eles trazem. Só em Janeiro serão conhecidas as alterações ao actual ranking