Portugal é campeão do mundo de futebol de praia

A selecção portuguesa derrotou o Taiti na final da competição disputada em Espinho e conquistou o seu segundo título mundial. Os veteranos Madjer e Alan são os únicos que estiveram nas duas conquistas.

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Bruno Novo exulta com o triunfo português
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Bruno Novo exulta com o triunfo português FRANCISCO LEONG/AFP
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O ano de 2013 foi difícil de digerir para a selecção portuguesa de futebol de praia, eliminada na fase de apuramento para o Mundial e por isso ausente da prova depois de 14 participações seguidas. Mas a reacção foi rápida e dois anos depois a decepção deu lugar à felicidade plena: Portugal sagrou-se neste domingo campeão do mundo da modalidade, depois de derrotar o Taiti, por 5-3, na final disputada em Espinho. A Rússia, anterior campeã, completou o pódio.

Este foi o segundo título mundial de Portugal, que juntou o sucesso no Campeonato do Mundo ao seu palmarés pela primeira vez em 2001, quando quebrou a supremacia do Brasil, vencedora de todas as seis edições disputadas até então.

Apesar dos 14 anos de diferença entre o triunfo em Espinho e o obtido na Costa do Sauipe, na Baía, Brasil, há quem faça a ligação entre as duas equipas: Madjer (38 anos) e Alan (40). As duas grandes referências do futebol de praia português, que deu os primeiros passos com uma selecção organizada à pressa apenas um mês antes da presença no Mundial de 1997 — o antigo internacional de futebol Carlos Xavier foi o treinador, capitão e autor do primeiro golo da equipa na prova —, foram influentes nos dois êxitos.

Em 2001, marcaram no jogo decisivo com a França (9-3), e neste domingo fizeram o mesmo no difícil duelo com o Taiti, um adversário que nunca esteve em vantagem ou igualado no resultado desde que Madjer inaugurou o marcador logo aos três segundos, mas que nunca baixou os braços e manteve o desfecho incerto até ao fim.

Com os seus jogadores concentrados e o guarda-redes Elinton Andrade atento, Portugal chegou a parecer estar a caminho de uma vitória tranquila. Belchior, outras das estrelas lusas, dobrou a vantagem aos 7’, num remate de primeira após assistência de Madjer. Dez minutos depois, a meio do jogo, Rui Coimbra desviou à boca da baliza um remate de Andrade e fez o 3-0.

Mas o Taiti, com um estilo muito imprevísivel e 4.º há dois anos, reagiu rapidamente e marcou duas vezes em três minutos, através de Tearii Labaste e Li Fung Kuee. A selecção nacional voltou a ter uma vantagem de dois golos com um livre directo de muito longe de Bruno Novo (21’), pouco depois de ter acertado no poste. Li Fung Kuee voltou a marcar (25’) e o mesmo jogador esteve muito perto de empatar, mas falhou com a baliza deserta, tal como tinha acontecido a Belchior antes.

Portugal só descansou de vez no último minuto, quando Alan fez um chapéu de grande qualidade a Beo, guarda-redes do Taiti. O português terminou a prova com cinco golos e quatro assistências e foi considerado o segundo melhor jogador do Mundial, à frente de Madjer (oito golos e uma assistência), o 3.º. O capitão de Portugal foi o 2.º melhor marcador, com os mesmos golos do paraguaio Pedro Moran, vencedor por ter realizado menos jogos. A Bola de Ouro, que premeia o melhor futebolista da competição, foi para Heimanu Taiarui (quatro golos e seis assistências), do novo vice-campeão mundial, que também viu Jonathan Torohia ser eleito o melhor guarda-redes.

“Esta equipa mereceu”, referiu Mário Narciso, seleccionador português. “Foi um jogo muito difícil. Não digo que [Portugal e Taiti] são as duas melhores selecções, mas são as duas em melhor forma. O segredo foi manter sempre o mesmo nível exibicional, não caímos”.

Os jogadores campeões por Portugal, que igualou os dois títulos da Rússia e só perde para o inalcançável Brasil (13), foram Madjer, Alan, Belchior (5 golos), Jordan (1), Coimbra (3), Bruno Novo (2), os gémeos Leonardo (1) e Bernardo Martins (3), Torres (1), José Maria (1) e os guarda-redes Andrade (1) e Tiago Petrony.