As mentiras mais contadas aos iniciados de corrida

A prática da corrida é envolvida, desde sempre, por mitos e ideias pré-concebidas (sem fundamento científico) que dividem opiniões de corredores amadores, atletas de elite e até profissionais da área do desporto e saúde.

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1ª parte dos mitos e verdades sobre a corrida

Exercício simples, que pode ser praticado a qualquer hora do dia e em qualquer lugar, faz da corrida uma fonte de inúmeras vantagens para a saúde e bem-estar de uma pessoa.

Basta um bom par de sapatilhas e boa disposição para espantar o stress, acelerar o metabolismo, diminuir a gordura corporal e ainda estimular a memória e o raciocínio. Estes e muitos outros benefícios da corrida são/estão comprovados por estudos via observação e investigação. 

Porém, o sedentarismo continua a existir em larga escala, quer em Portugal como no mundo (acompanhado por uma má alimentação e excesso de ansiedade), e a isto deve-se também ao receio e incertezas recorrentes de quem quer ou já pratica actividade física. 

O Público Running desmistifica neste artigo as cinco primeiras superstições mais ouvidas no mundo da corrida: 

1.    A corrida envelhece – Acredite ou não, algumas pessoas acreditam que todos os atletas são propensos a “cara do corredor”, que na opinião deles consiste em cara encovada e pele flácida, com rugas mais perceptíveis, que lhes dá um ar envelhecido. O que reforça tal mito é o facto de os corredores serem mais magros que a maioria das pessoas, terem menos gordura corporal, o que lhes faz parecer mais “secos”. O envelhecimento precoce pode mesmo acontecer, em casos de atletas profissionais que tenham um treino muito intenso, que se alimentem de forma incorrecta e que fiquem expostos ao ar livre por horas a fio, sofrendo a acção do sol e da poluição por muitos anos. Felizmente, jexiste muitas opções para evitar este problema, sendo aconselhado o protector solar, boné, óculos de sol e  roupas leves e com tecidos de alta absorção e dispersão de suor. A prática de exercício físico tem um efeito positivo para o organismo que, acompanhada por uma alimentação saudável (frutas, legumes, verduras, cereais integrais, carnes brancas), garante uma maior produção de defesas antioxidantes. Correr não acelera o envelhecimento, pelo contrário, ajuda a envelhecer bem.

2.    “Dá cabo dos joelhos” – Afirmar que correr lesiona os joelhos é semelhante a dizer que ir ao ginásio lesiona os músculos e estudar cansa o cérebro. A corrida tem por vezes má reputação por acreditarem que causa artrite e degradação da cartilagem… mas a realidade é bastante diferente. Correr fortalece os joelhos, atrasa a degeneração óssea e previne a osteoporose. Os impactos produzidos pela passada estimulam os osteoblastos, as células que regeneram e constroem os ossos. Por ajudar na perda de peso, a prática da corrida pode aliviar muitos problemas nos joelhos, causados polo excesso de peso que acaba por fazer muita pressão sobre os mesmos. De acordo com especialistas da área como osteopatas, ortopedistas e um artigo que reuniu mais de 30 pesquisas sobre a comparação entre a osteoporose e corrida de longa distância, não há evidências de que a corrida acelere ou provoque o desgaste das articulações em pessoas sem histórico deste tipo de lesão. O exercício só oferece perigo se for praticado sem orientação adequada ou se a pessoa estiver muito acima do peso e apresentar problemas ósseos. 

3.     Treinar em jejum – As pessoas que procuram emagrecer insistem em praticar exercício físico em jejum, acreditando que é a forma mais rápida para perder massa gorda, mesmo com os alertas dos especialistas para os riscos desta prática. Correr em jejum com níveis baixos de glicose no sangue implica gastar reservas de glicogénio, podendo levar a um cansaço extremo, antes mesmo de iniciar o treino, e até alguma lesão mais grave. Além disso, ao praticar exercício sem comer nada, o organismo reage com stress físico e uma vontade insaciável de comer pós-treino. Mas também correr logo a seguir a uma refeição deve ser evitada. O ideal é comer alguma coisa leve após o acordar e, se decidir correr durante o dia, correr duas horas depois de comer, com o estômago mais leve (o que não significa em jejum). 

4.    Para emagrecer é preciso correr por horas a fio - Correr por 45 minutos pode ser o tempo necessário para que o organismo transforme a gordura em fonte de energia, produzindo um gasto calórico suficiente para um condicionamento físico saudável. Porém, quem está a começar a prática da corrida, 20 a 30 minutos poderá ser o suficiente para atingir o êxito, e assim não arriscar a ganhar lesões graves e a desistir de um dia para o outro. O mito surge por ouvirmos dizer que só após 30 a 45 minutos de corrida é que se começa a queimar gordura. Na verdade, é possível que passem alguns minutos após o início do treino até o corpo ir buscar energia às reservas de gordura, mas isso dependerá sempre da quantidade de açúcar no sangue, que deriva da alimentação anterior ao treino. O que faz perder massa gorda é a relação entre o gasto e o consumo calórico.

5.    No caso das mulheres, causa celulite, varizes e pára a menstruação – Um dos boatos que impede mulheres de começar a correr é de que o exercício prejudicaria o corpo, provocando celulite, varizes, pele flácida, seios caídos e seria prejudicial para a menstruação. Correr liberta endorfina, podendo beneficiar as mulheres mais sensíveis no ciclo menstrual. Todavia, mulheres com fluxo intenso ou com algum mioma devem tomar maior precaução, podendo, neste caso, não ser recomendável que corram. Quando praticada de forma equilibrada, a corrida é uma óptima arma para as tão indesejadas celulites e varizes. A actividade física é excelente para a circulação sanguínea, pois activa o fluxo sanguíneo e linfático, combatendo a casca de laranja (celulite) nas coxas e glúteos. Quanto aos seios, aconselha-se o uso de tops apropriados para alto impacto e com boa sustentação.