Sampaio da Nóvoa à espera do apoio dos partidos à direita do PS

Candidato diz que “seria uma enorme insensatez e até de alguma arrogância estar a dizer ao grupo A ou ao grupo B ou ao partido A ou ao partido B que não queremos o seu apoio”.

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Sampaio da Nóvoa estranha que Belém considere apoiar uma candidatura "das políticas de austeridade, dos rostos do passado, de Passos Coelho, de Paulo Portas e das políticas que foram feitas nos últimos anos”. Ricardo Castelo\NFACTOS

Em declarações ao PÚBLICO, no dia em que faz dois meses em que anunciou oficialmente a sua candidatura a Belém, o ex-reitor da Universidade de Lisboa (UL) afirmou não ter ficado “surpreendido” com o apoio da plataforma Livre/Tempo de Avançar, decidido este fim-semana através de um referendo interno. “Não [fiquei surpreendido]. Tem havido muitas surpresas nesta candidatura do ponto de vista de alguns apoios”, partilhou o candidato que já fez cerca de seis mil quilómetros nestes dois meses de campanha.

“A candidatura está com uma dinâmica muito própria e com uma dinâmica muito forte do ponto de vista das ideias e dos princípios e tudo o que vier agora reforçar essa dinâmica, de partidos, de movimentos, de pessoas, obviamente, que é positivo venham de onde vieram. Essa tem sido a minha orientação”, sublinhou, realçando a “base muito forte” de partida da candidatura, apoiada por três ex-presidentes da República: Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Mário Soares. “Isso dá à candidatura uma base de sustentação muito forte e muito diversificada e julgo que apoios como este do Livre vão reforçando essa base”, considerou.

Sampaio da Nóvoa afastou a ideia de que o apoio do Livre possa comprometer um eventual apoio político do PS. “Isso poderia vir a acontecer se a candidatura não tivesse um cariz muito claro e muito assente”, disse, empenhando-se em declarar que a ”candidatura está muito focada, que os seus princípios estão claros e que as suas dinâmicas são claras”. E frisou: “Seria da nossa parte uma enorme insensatez e até de alguma arrogância estar a dizer ao grupo A ou ao grupo B ou ao partido A ou ao partido B que não queremos o seu apoio”.

“Todos os apoios que vierem serão recebidos com enorme reconhecimento e com enorme agradecimento, mas eles não alterarão uma vírgula no rumo que está a ser feito na candidatura”, assumiu.

Sobre as declarações de Francisco Assis que, em entrevista ao Expresso, assumiu que não votará em Sampaio da Nóvoa, mesmo que o PS decida apoiá-lo, o ex-reitor revelou que as encara “com muita normalidade e enorme respeito”. “Sinto que há dentro dos partidos e fora dos partidos uma vontade enorme de mudar e a percepção que essa mudança passa também pelas presidenciais”, sustentou, revelando que a sua candidatura presidencial é irreversível mesmo sem o apoio do PS. “Isto é uma coisa maior do que nós. A partir do momento em que uma coisa destas se lança, a candidatura deixa de ser nós, ela tem uma dimensão pessoal, tem um gesto pessoal, mas ela ganha uma dimensão para além de nós”, declarou, acrescentando que seria “muito confortável” ter o apoio de todos os partidos”.

O candidato independente a Presidente da República também não se mostrou preocupado com uma eventual candidatura presidencial protagonizada por Maria de Belém, como defendem alguns sectores do PS, empenhados em encontrar uma alternativa à sua candidatura e atirou: “Há uma certa tentativa de esforço de fazer uma espécie de encosto desta candidatura a uma visão esquerdista. Mas isso é mentira, porque nem eu sou isso, nem a minha história tem essa marca, nem esta candidatura foi lançada dessa maneira”.