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Obras no Convento de Jesus não vão parar até recuperação ficar completa

Município de Setúbal e Governo querem concluir recuperação do monumento nacional até ao final do presente Quadro Comunitário de Apoio, em 2020. Autarquia garante que obras são para continuar mesmo não havendo financiamento do Estado.

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Câmara de Setúbal garante que as obras não vão parar, mesmo que os fundos europeus não participem Nuno Ferreira Santos

A recuperação do Convento de Jesus, em Setúbal, que abriu parcialmente ao público no sábado, depois de concluída a primeira fase das obras, deve ficar completa até 2020, aproveitando o financiamento comunitário através do presente Quadro Comunitário de Apoio (QCA) para custear os seis milhões de euros necessários.

Este é o desejo do secretário de Estado da Cultura e da Câmara Municipal de Setúbal, expresso na cerimónia de reabertura do monumento nacional, a que assistiram centenas de pessoas.

A presidente da autarquia anunciou que o município está disponível para financiar metade do valor em falta e desafiou o Governo a envolver-se no financiamento dos outros três milhões necessários.

“É necessário que o Governo crie condições para que a outra metade possa ser financiada por fundos europeus, sem que, com este financiamento, se prejudiquem outros investimentos municipais apoiados por fundos comunitários na Área Metropolitana de Lisboa", afirmou Maria das Dores Meira. O secretário de Estado não se comprometeu com a garantia de que o Governo conseguirá financiamento mas prometeu empenhar-se nesse objectivo.

"É muito difícil, mas temos de encontrar soluções”, afirmou Barreto Xavier, mostrando-se “disponível para trabalhar com a autarquia”. Apesar de “confiar” nas palavras do governante, por “sentir que o secretário de Estado está motivado e que vai transmitir a importância do restauro completo da obra”, a presidente da Câmara de Setúbal assegura que o município vai continuar os trabalhos de de reabilitação, com ou sem ajuda do Governo.

“Não vamos parar com as obras. Seria bom que a segunda fase fosse já a totalidade [do restauro] e nós vamos fazer esse esforço, mas se não for, não vamos parar. Foi assim que isto chegou a esta degradação. Por não haver dinheiro para tudo também nem se fazia aos passos”, disse Maria das Dores Meira ao PÚBLICO.

O Convento de Jesus, em Setúbal, monumento nacional e um dos primeiros exemplos de arquitectura manuelina, esteve 23 anos encerrado, depois de fechar as portas em 1991 por risco de ruina. A primeira fase do projecto de recuperação, agora concluída, da responsabilidade do arquitecto Carrilho da Graça, foi promovida pela Câmara de Setúbal sob autorização da Direcção-Geral do Património Cultural, depois de o antigo IGESPAR ter cedido à autarquia a sua posição na candidatura do projecto a fundos comunitários.

A empreitada de requalificação, que começou em Dezembro de 2012, incluiu trabalhos de beneficiação geral do imóvel, mas incidiu, sobretudo, sobre a ala poente do edifício que foi reabilitada para acolher e reabrir ao público o Museu de Setúbal. As obras na ala poente do antigo mosteiro passaram pelo reforço de todas as infraestruturas, substituição integral de pavimentos e revestimentos de paredes, remodelação do sistema eléctrico e instalação de ar-condicionado.

De acordo com a autarquia, a segunda fase de obras prevê a conclusão da recuperação das alas norte e leste do antigo mosteiro e a reabilitação da estrutura da Igreja de Jesus e da respectiva cobertura, assim como a construção de um edifício de apoio, com mil metros quadrados, para acomodar funções científicas, técnicas e administrativas do Museu de Setúbal.

A recuperação total do Coro Alto, bem como da torre sineira, é outro dos objectivos programados na segunda fase de intervenções, que inclui a beneficiação da Praça Miguel Bombarda, conhecida como Largo de Jesus, com a criação de um jardim, e a instalação de um equipamento térmico na totalidade do convento.

Depois destas intervenções será exposta uma selecção dos cinco mil objectos e peças de arte que compõem o Museu de Setúbal, maioritariamente em torno da zona dos claustros.

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