OMS classifica lindano como “cancerígeno para os humanos”

Para além deste insecticida, o conhecido DDT e um herbicida, o 2,4-D, passaram a ser considerados como potenciais causadores de cancros pela Organização Mundial da Saúde.

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Um agricultor fotografado em 2005 a aplicar pesticida num arrozal nos arredores de Hanoi, no Vietname, Kham/REUTERS

O lindano, um insecticida que em tempos foi muito utilizado na agricultura, bem como contra os piolhos e para tratar a sarna nos seres humanos, provoca cancro e foi especificamente relacionado com o linfoma dito não-Hodgkin, anunciou nesta terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A IARC (a agência internacional do estudo do cancro da OMS) disse também que o DDT (dicloro-difenil-tricloroetano) causa provavelmente o cancro, uma vez que os resultados de estudos o relacionam com o linfoma não-Hodgkin, o cancro dos testículos e o cancro do fígado.

Numa reavaliação dos diversos compostos químicos utilizados na agricultura, um painel de especialistas declarou agora que tinha decidido colocar o lindano no Grupo 1 da classificação definida pela IARC, que inclui os compostos “cancerígenos para os humanos”; o DDT no Grupo 2A dos compostos “provavelmente cancerígenos para os humanos”; e o herbicida 2,4-D (ácido diclorofenoxiacético) no Grupo 2B dos compostos “possivelmente cancerígenos para os humanos.

A decisão em relação ao 2,4-D, salientou o painel, deveu-se ao facto de não terem sido detectados indícios fortes ou sistemáticos de aumento do risco de linfoma não-Hodgkin ou de outros cancros após a exposição àquele herbicida. Contudo, existem indícios que sugerem fortemente que o 2,4-D provoca “stress oxidativo”, um processo que pode danificar as células do organismo — e ainda indícios moderados de que esta substância pode ter efeitos imunossupressores.

O lindano, cujo uso foi banido ou restringido a partir de 2009 na maioria dos países, ao abrigo da Convenção de Estocolmo relativa a poluentes orgânicos persistentes, era anteriormente muito utilizado como pesticida na agricultura. Todavia, uma isenção prevista na lei permite que continue a ser usado como tratamento de segunda linha contra os piolhos e a sarna.

A IARC disse que exposições a altas doses de lindano tinham previamente sido reportadas entre trabalhadores agrícolas e pessoas que aplicam pesticidas — e que “grandes estudos epidemiológicos da exposição associada à agricultura nos EUA e no Canadá mostram um risco acrescido de 60% de contrair linfoma não-Hodgkin nas pessoas expostas ao lindano”.

O DDT foi introduzido para combater doenças transmitidas por insectos durante a Segunda Guerra Mundial e mais tarde o seu uso generalizou-se na luta pela erradicação da malária e na agricultura. Embora a maior parte dos seus usos tenham sido banidos já nos anos 1970, a IARC avisa que os seus subprodutos são “altamente persistentes e podem ser detectados no ambiente e nos tecidos animais e humanos no mundo inteiro” — acrescentando que “a exposição ao DDT ainda se verifica, principalmente através dos alimentos”, e que o DDT ainda é utilizado contra a malária em certas regiões de África, embora em condições muito controladas.

Quanto ao 2,4-D, desde a sua introdução em 1945 foi muito utilizado como herbicida na agricultura, nas florestas e em meio urbano e residencial. A IARC explica que a exposição profissional ao 2,4-D pode ocorrer durante o seu fabrico e aplicação — e que a população em geral também pode ser exposta a este composto através da alimentação, da água, do pó ou da aplicação doméstica, nomeadamente com pulverizadores.