Christopher Marinello: o Sherlock Holmes do mundo da arte

Ao longo da sua carreira o advogado terá recuperado para os seus clientes obras no valor de 300 milhões de euros.

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Christopher Marinello DR

No ano passado, na sequência do mundialmente conhecido “caso Gurlitt”, foi descrito na imprensa internacional como o Sherlock Holmes do mundo da arte. Christopher A. Marinello, de 53 anos, é um advogado nascido em Brooklyn, Nova Iorque. Ao longo da sua carreira terá recuperado para os seus clientes obras de arte no valor de cerca de 350 milhões de dólares (304,6 milhões de euros, ao câmbio actual).

É “um dos mais importantes especialistas mundiais na recuperação e restituição de obras de arte, ajudando a resolver tanto roubos contemporâneos como espoliações da II Guerra Mundial perpetradas pelos Nazis”, escreve a publicação especializada “ArtNet” num perfil de Novembro de 2014.

Na altura, Marinello já tinha deixado a conhecida firma nova-iorquina Art Loss Register, onde fora conselheiro geral durante sete anos. Ao saber da sua saída, em Setembro de 2013, o New York Times deu-o como “um funcionário-chave” e “um dos rostos mais públicos” da empresa. Marinello mudou-se para Londres e fundou uma concorrente: a Art Recovery International. Foi já na sua própria empresa que se tornou representante dos herdeiros do conhecido coleccionador de arte parisiense Paul Rosenberg no “caso Gurlitt”.

Foi o caso das 1400 obras de arte encontradas em 2012 no hoje famoso apartamento de Munique de Cornelius Gurlitt, filho e herdeiro de Hildebrand Gurlitt, um comerciante de arte do III Reich que negociou e guardou para si milhões em obras espoliadas pelo regime. Só no apartamento de Munique havia obras de Picasso, Renoir, Monet, Delacroix, Courbet, Dürer, Canaletto... Estava lá também o Matisse de 1921 que Marinello conseguiu fazer regressar à família Rosenberg.

Foi a primeiríssima restituição de todo o caso, feita em Novembro do ano passado, quando Marinello tinha o “dossier Crivelli” em mãos há já quase um ano.

Segundo o perfil da “ArtNet”, “Femme assise dans un fauteuil” foi apenas “um de cinco ou seis” Matisse que Marinello ajudou a recuperar na sua carreira. Houve também “Profil bleu devant la cheminée”, de 1937.

“Profil bleu” foi mais uma das 162 obras de Paul Rosenberg de que o regime Nazi se apropriou em 1941, na altura da fuga do coleccionador com a família para os Estados Unidos. Ao contrário de “Femme assise”, que terá permanecido sempre na Alemanha, “Profil bleu…” mudou várias vezes de mãos e chegou à Noruega em 1961. Entrou nessa altura para a colecção do Centro de Artes Henie Onstad, fundado pelo magnata Niels Onstad e a sua mulher Sonja Henie.

Durante anos, a família Rosenberg tinha tentado localizar esta obra avaliada em 20 milhões de dólares (17,6 milhões de euros). Marinello conseguiu a localização e restituição também no ano passado.

Para sublinhar a rapidez e eficácia deste especialista a “ArtNet” refere que, em Praga, a empresa deste investigador e negociador precisou de apenas duas semanas para localizar e ter de volta uma fotografia roubada de um museu.

Em todos esses casos, tal como agora face ao “dossier Crivelli”, Marinello recusou discutir em detalhe a questão financeira. Numa entrevista sobre os Matisse dos Rosenberg ao “Il Sole 24 hore”, um jornal italiano especializado em economia, explicou: “O verdadeiro valor destes trabalhos reside na oportunidade de a família recuperar o seu passado.”

Na mesma entrevista foi questionado sobre porque decidira deixar a Art Loss Register e fundar a sua própria empresa: “O mercado precisa desesperadamente de uma base de dados central de obras de arte roubadas, saqueadas e reclamadas que seja gerida de forma ética e responsável.”

Ao PÚBLICO Marinello refere por duas vezes que oferece trabalho “pro bono” a artistas, organizações sem fins lucrativos e alguns casos museus.

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