Intervenção de Emergência repôs ligação da lagoa de Óbidos ao mar

Operação de emergência foi realizada pelas duas autarquias, após o fecho da aberta a 15 de Abril.

A lagoa vai ser alvo de mais dragagens ainda este ano, para evitar o assoreamento
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A lagoa vai ser alvo de mais dragagens ainda este ano, para evitar o assoreamento DR

A ligação da lagoa de Óbidos ao mar, fechada há uma semana devido ao assoreamento, foi reposta às 10h30 desta quinta-feira, numa intervenção de emergência efetuada pelas câmaras das Caldas da Rainha e Óbidos.

"O pico da maré aconteceu às seis da manhã e pensávamos que às 9h a água da lagoa já tivesse força para empurrar sedimentos e abrir o canal, mas, perante a força do mar, houve necessidade de atrasar hora e meia a abertura do canal", explicou à agência Lusa o presidente da Câmara de Óbidos, Humberto Marques.

O fecho da ligação da lagoa ao mar, a denominada "aberta" da Foz do Arelho, aconteceu a 15 de Abril devido ao elevado assoreamento que forma bancos de areia e impede a entrada de água do Atlântico. Sem água do mar a lagoa perde oxigenação, colocando em risco as espécies e a subsistência de cerca de uma centena de pescadores e mariscadores que se dedicam à pesca de bivalves.

Este foi o segundo fecho da aberta registado no prazo de um mês, depois de em Março a Agência Portuguesa de Ambiente (APA) ter realizado uma intervenção de emergência para repor o canal. "Devido às temperaturas mais elevadas e à informação que tínhamos de que espécies como as enguias e caranguejos começam a denotar problemas pelas falta de oxigenação, decidimos em conjunto avançar com esta intervenção", explicaram Humberto Marques e Fernando Tinta Ferreira (presidente da câmara das Caldas da Rainha), que esta manhã acompanharam os trabalhos.

A abertura do canal foi feita com recurso a quatro máquinas (duas giratórias e duas pás carregadoras) que iam continuar a retirar areia até ao início da tarde , "para assegurar que a ligação não fecha" e que, até ao final de sexta-feira, continuarão no local para "retirar eventuais bancos de areia que voltem a formar-se", acrescentaram.

A intervenção acontece a poucas semanas do início da empreitada de abertura e aprofundamento dos canais da zona inferior da lagoa de Óbidos, que implica a retirada de 650 mil metros cúbicos de areia de quatro canais. A obra foi adjudicada à firma Irmãos Cavaco SA, que a 11 de Abril iniciou na Foz do Arelho a montagem do estaleiro mas não iniciou ainda as dragagens, que terão uma duração de nove meses e um custo de 3.497.037,77 euros.

A esta obra sucederá a segunda fase das dragagens, que prevê a retirada de mais 700 mil metros cúbicos de areia das cabeceiras da lagoa, cujo concurso o secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, já afirmou que poderá ser lançado até ao final do ano.

A lagoa de Óbidos é o sistema lagunar mais extenso da costa portuguesa, estendendo-se pelos concelhos das Caldas da Rainha e Óbidos.