Aborto: Mulheres que amam quem nunca nasceu

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Já passaram cinco anos desde que Sandra perdeu Mónica. "Sempre que me perguntam quantos filhos tenho, respondo sempre dois: um está na terra e outra está no céu." Nas paredes do quarto, junto aos retratos de família, permanece a imagem da última ecografia da bebé. Sandra diz ter resolvido bem a situação, jurou nunca mais a esquecer. Raquel passou por perda semelhante e confessa, como que se dirigindo ao filho que não teve: "Tive-te no meu ventre, mas morreste-me. E domina-me o fracasso por não ter ido a tempo de te salvar, por não ter tido a oportunidade de te deixar perceber que já te amava, por não conseguir ser tua mãe de colo. Se ao menos tu soubesses..." Sara Correia, a autora do projecto fotográfico "Permitido Sofrer", que deu mais tarde origem a um livro, falou com três mulheres que sofreram uma perda gestacional. "Todas as mulheres que conheci, que viveram este tipo de situação, têm em comum um sentimento de vazio pela perda sofrida, e de solidão pela falta de apoio e compreensão dos outros. Passam-se anos mas a data da perda continua viva dentro delas. Guardam recordações e falam com os seus filhos que desistiram de vir ao mundo." Existe, segundo Maria Pontes, ex-directora da Associação Artémis — associação de apoio a mulheres vítimas de perda gestacional — e autora do livro "Maternidade Interrompida", um certo tabu em redor do assunto e uma grande dose incompreensão por parte dos outros. "A perda gestacional destrói vidas, famílias. É preciso dignificá-la e conhecê-la para que, de forma correcta e humana, possamos ajudar essas mulheres".

Raquel
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