Arouca vai por-nos a passear junto ao rio Paiva

Passadiço de madeira, construído ao longo de oito quilómetros, vai ser parcialmente aberto já este mês.

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Fotos Adriano Miranda
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Dentro de dias haverá um novo motivo para passar algum tempo no concelho de Arouca. Poucas semanas depois da inauguração, na Serra da Freita, de um radar meteorológico que é também um dos mais espectaculares miradouros do país, o concelho passa a oferecer aos visitantes outro “miradouro”, mas à cota baixa: um passadiço de madeira que nos aproxima das curvas e contracurvas, dos rápidos e das praias do rio Paiva, pela sua margem esquerda.

Deve ser o mais fácil dos 15 percursos pedestres de que Arouca passa a dispor, este passadiço das margens do Paiva, cujo primeiro troço, metade dos oito quilómetros que há-de ter no Verão, é inaugurado já antes do 25 de Abril, a tempo do Paivafest, um festival que junta os amantes das actividades radicais no rio. O PÚBLICO experimentou-o na semana passada e o que já se podia ver é simplesmente, deslumbrante, dada a forma como somos convidados a conhecer de perto um dos cursos de água mais bem preservados do país. 

Depois de algumas reticências iniciais do Instituto da Conservação da Natureza, o que aqui se construiu é uma estrutura leve, e arquitectónicamente muito interessante, quando vista da margem direita na qual tinham sido já construídos alguns miradouros para quem gosta de acompanhar as provas que decorrem no rio. Agora, explica o presidente da Câmara de Arouca, Artur Neves, é expectável que, dada a evidente melhoria na acessibilidade, mais gente - familiares, amigos, de qualquer idade - passem a acompanhar os praticantes de canoagem de águas bravas que se atiram aos rápidos do Paiva.

O turismo activo é o grande trunfo de Arouca, um concelho do interior do distrito de Aveiro, mas integrado na Área Metropolitana do Porto. Boa parte do território está integrado no Geopark de Arouca, e o rio, a par da Serra da Freita, é um dos seus melhores recursos para atracção de visitantes. Artur Neves assinala que, pelos dados das mais de vinte empresas que organizam provas e outras iniciativas no Paiva, umas dez mil pessoas vão para aquelas águas praticar desportos. Mas o potencial de ocupação sustentada dos troços mais interessantes deste curso de água, chega aos cem mil praticantes, segundo um estudo citado na candidatura do projecto do passadiço aos fundos do Provere, um sub-programa do último quadro comunitário dedicado a apoiar acções de valorização dos recursos endógenos.

Em Portugal poucos concelhos se podem gabar de ter um rio tão interessante e em tão bom estado de conservação, com as suas curvas apertadas, e margens que ainda resistem ao cenário do eucaliptal que domina boa parte da serra. Enquanto se caminha, e é bom levar uns binóculos, é perceptível, ao vermos um melro-de-água ou um bando de pedreiras, que não falta vida por aqui. E, por isso, o trilho que no Verão estará completo, ligando Espiunca a Vau e ao Areinho, três zonas balneares, não atrairá decerto apenas os praticantes de actividades mais radicais, dada o seu grau de facilidade. 

O único grande desafio que o traçado coloca é um troço em escada, com dezenas de degraus, junto ao geosítio da Garganta do Paiva, onde, por algumas centenas de metros, o caminho passa a fazer-se por um estradão, em direcção a Sul. E, também por isso, Artur Neves deposita grande esperança neste projecto, que pode ajudar também, acredita, o sector hoteleiro no concelho, cuja oferta ainda é ainda diminuta. 

Segundo o presidente da Câmara, algo tem vindo a mudar nos últimos anos. Com o Geopark, o Museu das Trilobites na pedreira do Valério, os trilhos da Serra da Freita, o mosteiro, na vila, e o recém inaugurado miradouro do radar meteorológico do Norte, que fica perto do centro de interpretação das famosas pedras parideiras, o interesse dos investidores aumentou e só em Alvarenga estão a ser construídas mais três unidades de agro-turismo, uma delas com escola de equitação, que complementarão as casas de turismo rural e o hotel da sede do concelho.  

Outra das vantagens assinaladas pelo autarca é que as localidades mais beneficiadas pela possível duplicação do número de visitantes estão no interior do concelho, submetido, como outros pontos do país, a um processo de despovoamento. Entre outras, Alvarenga, aldeia famosa pelo bife de arouquesa, pode vir a ganhar, e até está a ser pensada a construção, na zona do Vau, de uma ponte a ligar à margem direita, para que os caminhantes possam ir atrás do cheiro da carne. Há vários restaurantes na pequena localidade e tudo se parece compor para que o roteiro dos turistas se faça a pé, à mesa, e de novo a pé, para a digestão de tão copiosa refeição.

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