Protestos contra Dilma enchem ruas em todo o Brasil

Marcha na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu um milhão, de acordo com Polícia Militar, mas relatos divergem.

Autoridades apontam para 40 mil manifestantes em Brasília.
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Autoridades apontam para 40 mil manifestantes em Brasília Joedson Alves/Reuters
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O número de pessoas que saíram neste domingo à rua para protestar contra Dilma Rousseff e o seu Partido dos Trabalhadores (PT) ultrapassou todas as expectativas, incluindo as inicialmente avançadas pelos movimentos conservadores que agendaram as manifestações. Às 19h portuguesas (menos três horas no Brasil) a Polícia Militar estimava que só em São Paulo, na Avenida Paulista, se reuniam mais de um milhão de pessoas. Número que o instituto Datafolha contesta, afirmando que não foram mais do que 210 mil no total e 180 mil no pico da multidão. De qualquer maneira, o protesto anti-Dilma deste domingo é histórico, em números e foco. Mesmo nas contagens mais conservadoras, os protestos terão reunido um milhão em todo o país.

A enchente surpreendeu Dilma e o Governo, que não esperavam mais do que 100 mil pessoas em São Paulo, como avançava este domingo o Folha de São Paulo. De tal maneira, que o executivo se viu obrigado a reagir. Reunida desde o meio da tarde num "gabinete de crise" com a sua cúpula, Dilma Rousseff enviou no final dos protestos o seu ministro da Justiça às televisões para anunciar um pacote de medidas anti-corrupção. Dilma respondia assim aos protestos que neste domingo a acusavam, e ao seu Partido dos Trabalhadores, de terem participado no alegado esquema de corrupção na Petrobras. 

Enquanto José Eduardo Cardozo falava na televisão, ouviu-se novo "panelaço" em vários pontos do país, tal como acontecera no dia 8, quando o comunicado de Dilma surgiu nas televisões.

Os números avançados pela Polícia Militar foram-se alterando ao longo do dia. Mas, por volta das 23h em Portugal (menos três no Brasil), os cálculos das autoridades apontavam para 80 mil manifestantes em Curitiba, 25 mil no Rio de Janeiro, 60 mil em Goiânia, capital do estado de Goiás, 45 mil em Vitória e 40 mil em Ribeirão Preto, no interior do estado de São Paulo. Porto Alegre e Belo Horizonte, diz a Polícia Militar, tiveram ambas à volta de 30 mil pesoas.   

Num vídeo publicado na sua página do Facebook, o líder do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e principal opositor de Dilma Rousseff nas eleições de 2014, Aécio Neves, declarou que este dia "15 de Março vai ficar lembrado para sempre como o Dia da Democracia". Aécio disse ainda que decidiu não participar nas manifestações por entender que o "povo brasileiro" deveria ser o principal protagonista. O líder do PSDB fora já avistado na janela do seu apartamento, no Rio de Janeiro, vestido com a camisola da selecção nacional do Brasil. Vários manifestantes vestiam neste domingo t-shirts onde se lia "Eu votei Aécio". 

As palavras de ordem mais ouvidas exigiam a saída de Dilma e acusavam a Presidente do Brasil e o PT de corrupção, aludindo à proximidade de ambos do alegado escândalo de corrupção na Petrobras, actualmente a ser investigado pelo Ministério Público. Os manifestantes afirmam ainda estarem contra a inspiração socialista do Governo brasileiro. Várias faixas alegavam que o PT está a arrastar o Brasil para um plano político semelhante ao de Cuba. Durante as manifestações ouviu-se, de acordo com O Globo e o Folha de São Paulo, "Quem não pula é comunista" e, por exemplo, "A nossa bandeira jamais será vermelha". 

O pedido de impeachment à Presidente do Brasil parece ter saído do principal plano da contestação, embora se avistassem várias tarjas fazendo referência a este modelo de destituição. Governo e aliados de Dilma Rousseff criticaram os pedidos de impeachment que, defendem, são inconstitucionais e prejudicam a democracia. Por essa razão, a principal linha de defesa do Governo tem sido alegar que os movimentos conservadores – cujo protagonismo parece ter-se eclipsado, dada a inesperada afluência aos protestos – não querem aceitar os resultados eleitorais de 2014. 

Com efeito, mais do que o pedido de impeachment, as ruas pareceram no domingo ter exigido a saída de Dilma Rousseff do poder, sem para isso se basearem nesse instrumento legal. A figura do impeachment no actual contexto brasileiro suscita sérias dúvidas. Caso fosse esta a principal reivindicação, os protestos deste domingo arriscavam-se a perder alguma substância. 

Na cobertura ao vivo feita pelos jornais brasileiros O Globo e Folha de São Paulo, saltaram à vista, porém, vários cartazes a pedirem uma intervenção militar. Entre os grupos conservadores que apelaram às manifestações deste domingo havia também, com menos apoio popular, vários grupos de inspiração militarista e outros próximos da extrema-direita. Para além de críticas à política de esquerda do Partido dos Trabalhadores, surgiram nos jornais e nas redes sociais imagens de movimentos a apelarem a um golpe militar no Brasil.