Mergulhadores vão analisar condições para buscas por desaparecidos em Sintra

Marinha ainda não conseguiu mergulhar na zona onde se crê que o naufrágio aconteceu.

Vários destroços e objectos da embarcação deram à praia, mas não há vestígios dos corpos
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Vários destroços e objectos da embarcação deram à praia, mas não há vestígios dos corpos Enric Vives-Rubio

O comandante da capitania do porto de Cascais afirmou que mergulhadores forenses vão analisar as condições para a realização de buscas por mar pelos pescadores desaparecidos a 14 de Janeiro, na Praia das Maçãs, Sintra.

Mário Domingues avançou à agência Lusa que as buscas por terra se têm realizado diariamente desde que se deu o naufrágio, no qual desapareceram cinco pescadores, com idades entre os 29 e os 61 anos. Um outro, luso-francês, conseguiu nadar para terra e sobreviveu.

"O que hoje vamos fazer é com os mergulhadores forenses. Fazer uma primeira análise do terreno, não vamos mergulhar, vamos projectar um mergulho na área onde presumimos que ocorreu o acidente. Logo que possível tencionamos mergulhar e, quando digo 'logo que possível', é quando estiverem reunidas condições que garantam a segurança da operação", afirmou.

Para Mário Domingues, a realização de um mergulho hoje está fora de questão, já que se trata de uma "zona muito próxima da rebentação ou mesmo de rebentação", o que torna a operação "muito arriscada", tendo em conta também o aviso laranja para a agitação marítima emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
De acordo com o comandante da Capitania do Porto de Cascais, as buscas por terra têm sido mantidas com elementos da Polícia Marítima e dos Bombeiros de Colares e por ar com recurso a um helicóptero da Força Aérea Portuguesa.

Dos cinco pescadores que ainda não foram localizados, três são naturais da Póvoa de Varzim, um de Vila do Conde e outro é cidadão ucraniano, todos residentes nas Caxinas. Um pescador luso-francês, de 26 anos, conseguiu nadar para terra agarrado a uma boia e subiu a arriba perto da praia das Maçãs, batendo à porta de habitações a pedir socorro, até ser encontrado pelo guarda-noturno, alertado por uma moradora.

A embarcação, com cerca de 11 metros de cumprimento, estava registada em Olhão e é propriedade de um armador da Póvoa de Varzim. Apesar de o sobrevivente ter relatado que viu outros dois pescadores agarrados a uma balsa, os meios terrestres, marítimos e aéreos não detectaram vestígios dos outros cinco ocupantes da embarcação, que tinha largado de Peniche com destino a Cascais para a pesca do linguado.

Vários destroços foram dando à costa nos dias seguintes e, a 18 de Janeiro, foi encontrada na praia Grande uma rede pertencente à Santa Maria dos Anjos.