Cooperativa cultural de Guimarães acorda rescisões com dez pessoas

A Oficina deixa sair produtores, técnicos e actores, perdendo mais de 15% da equipa. Opção é justificada com a necessidade de “voltar à normalidade” depois de anos marcados pela organização da Capital Europeia da Cultura

O candidato do PS quer o actual presidente como uma espécie de "embaixador ou ministro dos Negócios Estrangeiros de Guimarães"
Foto
O candidato do PS quer o actual presidente como uma espécie de "embaixador ou ministro dos Negócios Estrangeiros de Guimarães" ADRIANO MIRANDA

A cooperativa municipal de cultura de Guimarães, A Oficina, acordou, no final do mês passado, rescisões amigáveis dos contratos de dez trabalhadores. Entre produtores, técnicos e actores, abandonam os quadros da entidade que gere o Centro Cultural Vila Flor e a Plataforma das Artes, os dois principais equipamentos da cidade, cerca de 15% do seu quadro de pessoal. A estas saídas juntam-se ainda as de dois directores, que foram convidados para novos projectos profissionais noutras cidades.

No mês passado, A Oficina enviou uma carta aos seus mais de 60 trabalhadores dando conta da disponibilidade da cooperativa para negociar uma rescisão dos contratos de trabalho por mútuo acordo, uma possibilidade que foi aberta a todos os colaboradores da estrutura. Nas semanas seguintes, responderam à proposta da direcção dez pessoas, que entraram depois em acordo para terminar os seus vínculos laborais e, no final do mês passado, deixaram de trabalhar naquela instituição vimaranense.

A lista de trabalhadores de A Oficina que acordaram a rescisão de contratos inclui produtores, técnicos de luz e som, bem como os dois únicos actores com contrato permanente na companhia de teatro da cidade. O Teatro Oficina deixa assim de ter uma estrutura fixa, mas continua a ter um director artístico e mantém os planos para a programação já delineada para todo este ano.

O vereador da cultura da câmara de Guimarães – a principal acionista desta cooperativa, a quem entrega cerca de 3 milhões de euros anuais – justifica esta opção com a necessidade de “voltar à normalidade” depois de anos em que a actividade foi muito marcada pela organização da Capital Europeia da Cultura, em 2012. A Oficina foi co-produtora da Guimarães 2012, assumindo uma parte significativa da execução daquele projecto cultural. Essa participação significou “um incremento de trabalho”, recorda José Bastos, o que obrigou a um reforço das equipas.

A ligação de A Oficina à Guimarães 2012 prolongou-se, segundo o mesmo responsável, até ao final do ano passado, uma vez que foi ainda necessário entregar o relatório final da execução do processo, acompanhar os momentos de auditoria e fazer os pagamentos finais ainda necessários a fornecedores e prestadores de serviços.

José Bastos não esconde, porém, que há uma “nova realidade” na programação dos principais espaços culturais de Guimarães, marcada por dificuldades financeiras. O número de espetáculos realizados no Centro Cultural Vila Flor tem sido, já desde 2014, mais diminuto do que no ano anterior. “Menos actividade implica menores necessidade de recursos humanos”, defende o vereador, segundo o qual houve ainda “um aumento da capacidade organizativa” da cooperativa de cultura, o que que permite “dar resposta com menos recursos”.

Além das dez rescisões amigáveis acordadas no final do mês passado, A Oficina perde também dois dos seus principais responsáveis. O director de produção, Tiago Andrade, e a directora do Serviço Educativo, Elisabete Paiva, foram convidados para novos projectos profissionais fora de Guimarães. Apesar de coincidirem no tempo, estas saídas “estão fora deste plano de reestruturação”, informa Bastos, pelo que poderá haver lugar a novas contratações para estes lugares de direcção que agora ficaram vagos.