Instituto do Sangue foca-se nos novos dadores para travar quebra de 6% nas colheitas

Campanha “Dador 1.ª Vez” conta com música de Luísa Sobral. Quem se estrear nas dádivas leva diploma para casa.

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Os novos dadores representaram em 2013 quase 20% do total Nuno Ferreira Santos

As reservas do país estão garantidas e, qualquer que seja o grupo sanguíneo dos doentes, há unidades de sangue suficientes para mais de dez dias. Mas, perante a saída de jovens do país e o envelhecimento da população, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), lançou uma nova campanha que se foca precisamente nos novos dadores, visto que até ao final de Outubro houve uma quebra de 6% nas colheitas de sangue. Uma tendência que é preciso estancar.

“Temos como principal objectivo cativar os dadores que o fazem pela primeira vez e ao pensarmos em dadores de primeira vez estamos a pensar predominantemente nas camadas mais jovens da população. As reservas têm estado garantidas, mas temos de preparar o nosso futuro, pois temos uma população muito envelhecida e muitos jovens a deixar o país”, explicou ao PÚBLICO o presidente do IPST, alertando que na altura do Natal, seja pelas férias como por doenças como a gripe, costuma haver uma quebra nas reservas.

De acordo com os dados avançados por Hélder Trindade, até ao dia 31 de Outubro deste ano foram recolhidas 163.090 unidades de sangue, quando no mesmo período do ano passado tinham sido 173.617 – o que representa uma quebra na ordem dos 6%. Quando ao número de dadores, no ano passado foram registados 26.760 dadores de primeira vez, representando este grupo quase 20% do total de inscritos.

A descida nas colheitas foi, no entanto, compensada pela redução do número de unidades de sangue utilizadas pelos hospitais, que caiu em relação aos anos anteriores. “As cirurgias são cada vez menos invasivas, existindo cada vez mais procedimentos por endoscopia. A grande cirurgia é cada vez mais uma minoria”, exemplificou o presidente do IPST, alertando, ainda assim, que com o envelhecimento da população a pressão colocada sobre a prestação de cuidados de saúde vai ter tendência para aumentar.

Quanto à campanha intitulada “Dador 1.ª Vez” e apresentada nesta sexta-feira pelo IPST, Hélder Trindade adiantou que segue a tendência do instituto de comunicar de forma mais directa com os potenciais dadores e com uma linguagem mais dirigida aos jovens. “A campanha conta com uma música de Luísa Sobral sobre dar sangue, que espero que seja muito badalada. Em Janeiro e Fevereiro vamos também contar com spots com o Nuno Markl”, acrescentou o responsável, explicando que a campanha conta com anúncios para rádio, televisão e em superfícies comerciais que ilustrarão de forma cómica o acto de dar sangue pela primeira vez. Quem aderir receberá, também, um diploma.

“Queremos aproximar-nos dos mais jovens e com o diploma lembrar que devem continuar a dar. Hoje para ti, amanhã para mim. Se cumprirmos o nosso dever social de solidariedade nós também estamos seguros. Pode ser um pouco egoísta dizer-se isto assim, mas sabemos que é verdade”, defendeu Hélder Trindade. A campanha associada à série The Walking Dead, apesar das críticas, também vai continuar. “Neste ano conseguimos 760 dádivas da campanha e 70% foram de novos dadores”, afirmou o presidente do IPST, considerando que este é um exemplo de que devem “estar onde estão os mais novos”.

Em relação ao facto de desde há três anos os dadores terem perdido a isenção nas taxas moderadoras, Hélder Trindade reconhece que discorda da medida, mas acredita que esta mudança não está a afastar as pessoas, estando mesmo ultrapassada. Ainda assim, admite que as dificuldades no trabalho e em pagar transportes podem afastar alguns dadores.

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