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Paula e Fernando são os criadores da startup TargeTalent DR
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Projecto de diagnóstico do cancro vence Prémio do Jovem Empreendedor

Este meio de diagnóstico precoce de cancro oral permite uma colheita de células e obtenção de resultados durante a consulta médica

O projecto Blue Stain foi o grande vencedor do Prémio do Jovem Empreendedor de 2014, entregue na noite desta quinta-feira, dia 27 de Novembro. O inovador método de diagnóstico de cancro oral foi desenvolvido pela "startup" TargeTalent, da qual são responsáveis Paula Melo e Fernando Ferreia, e premiado com 30 mil euros. 

Licenciada em Anatomia Patológica e actualmente a fazer doutoramento em Patologia e Genética Molecular na Universidade do Porto, Paula Melo tem 29 anos e é natural de Castelo de Paiva. Em 2012, juntamente com Fernando Ferreira, criou a TargeTalent. Esta "startup" dedica-se ao desenvolvimento de testes de diagnóstico que utilizam as células como meio biológico. Trata-se de uma tecnologia diferenciada de interface bio-digital, que permite o diagnóstico rápido de patologias. 

A TargeTalent conta com o apoio da CESPU e ainda de duas "business angels": a Creative Wings, SA e a Green Capital, SA. Esta "startup" participou em Novembro de 2013 numa sessão de investidores organizada pela ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários) durante a 16.ª Feira do Empreendedor. Aí, os dois tiveram a oportunidade de apresentar o conceito a várias entidades de capital de risco, "business angels" e "venture capital".

Nos meses seguintes, as provas dadas permitiram que surgiesse o investimento necessário em Agosto deste ano. 

Diagnóstico rápido

“O projecto Blue Stain resultou da necessidade de materializar um projecto de investigação numa ideia de negócio. Tem como finalidade promover soluções de diagnóstico tipo ‘point of care’”, explicou Paula ao P3. “O objectivo é fornecer processos de diagnóstico simplificado, que possam chegar a toda a gente com elevados padrões de qualidade", acrescentou.

A solução Blue Stain consiste num "kit" de diagnóstico do cancro, do oral em particular, que possibilita a recolha e análise imediata de células do corpo humano. É rápido, não invasivo e indolor. A inovação do Blue Stain reside no facto de, actualmente, não existir uma solução para diagnosticar precocemente as patologias da cavidade oral. A sua importância aumenta por o seu exame e o próprio resultado se efectuarem no tempo de uma consulta, a chamada "solução 'point of care'”. Além deste factor, o Blue Stain não tem qualquer implicação logística, o que representa uma redução dos custos para hospitais e clínicas médicas.

De acordo com um comunicado emitido pela ANJE, o cancro oral regista 540 mil novos casos por ano, com uma taxa de mortalidade de 80% (seis em cada 10 pacientes morrem nos cinco anos seguintes ao diagnóstico).