Nuno Ferreira Santos
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Nuno Ferreira Santos

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Vodafone Mexefest: é tempo de escolhas... difíceis

A sobreposição dos concertos dificulta as escolhas, mas os festivais são como a vida, é preciso tomar decisões. O que não impede de correr de sala em sala, dar oportunidade ao desconhecido ou confirmar o que já suspeitávamos

O fim de Novembro aproxima-se e, se o centro de Lisboa já está cheio de luzes de Natal, nos dias 28 e 29 deste mês vai estar também cheio de música. O cartaz da terceira edição do Vodafone Mexefest está fechado e promete trazer à Avenida da Liberdade e arredores mais de 50 artistas nacionais e internacionais. Resta escolher o que ver e ouvir, sexta e sábado à noite. Para ajudar na selecção, aqui fica uma sugestão de roteiro:

Sexta, dia 28 de Novembro

Se puderem estar às 20h na Casa do Alentejo, é uma boa ideia começar a noite com o groove de NBC. O artista português lançou no mês passado o novo single, “Gratia”, e é um nome incontornável no mundo do hip hop português — o festival só pode começar bem com ele.

Às 21h, a escolha é complicada: no Cinema São Jorge a brilhante Capicua, no Rossio o extraordinário artista nascido no Sudão, Sinkane. É difícil aconselhar sabendo que Capicua não desilude e que Sinkane poderá surpreender com uma mistura de funk, pop e rock ao ritmo do seu mais recente álbum, “Mean Love”. Decisões para a própria noite?

Tune-Yards é para ouvir às 22h no Coliseu dos Recreios. A banda de Merrill Garbus, que há dois anos esteve no festival Paredes de Coura, lançou este ano o seu terceiro álbum de estúdio “Nikki Nack” – uma fusão de estilos num género inconfundível. Uma hora depois é voltar para a Casa Alentejo. Lá vai estar a peculiar Shura, cantora e compositora britânica com origens russas — uma mistura explosiva de hip hop, R&B e pop.




Antes de rumar ao Coliseu dos Recreios pouco depois da meia-noite para ouvir St. Vincent, o projecto genial de Anne Clark, há tempo para passar na Estação Vodafone FM, no Rossio, e ouvir o synth-pop de Adam Bainbridge, mais conhecido por Kindness.

Quem ficar até ao fim do concerto de St. Vincent já não consegue ouvir o contagiante Stereossauro que vai estar no Rossio, mas se a noite acabar ao som dos artistas que compõem o Príncipe Showcase, no Coliseu dos Recreios, também vai ser difícil chegar a casa a sentir os pés.

Sábado, dia 29 de Novembro

Sábado pode começar outra vez na Casa do Alentejo — é lá que se vai poder ouvir Bristol, o projecto de Marc Collin. Uma recriação de temas à luz do trip hop. A meio deste concerto a voz de Curtis Harding vai ouvir-se na Estação Vodafone FM, no Rossio, e vale a pena correr até lá para curtir o soul do norte-americano que este ano lançou o seu primeiro álbum.

No fim do espectáculo de Harding, pelas 21h30, a escolha vai depender do estado de espírito: para quem quer ser embalado pode ir ter com Sharon Van Etten ao Coliseu dos Recreios, para quem procura uma batida mais forte os Throes + The Shine vão estar no Ateneu a oferecer rock e kuduro.

Às 23h, o imperdível Perfume Genius no Coliseu dos Recreios, mas antes podemos ir ouvir o projecto português Sensible Soccers (à mesma hora Cloud Nothings no Ateneu).

O fim do concerto de Palma Violets pode ser o arranque para ouvir o indie rock dos britânicos Wild Beasts, e a noite pode ser acabada em grande ao som do conceito criado pelo genial Branko, Globaile, no Coliseu dos Recreios.

A sobreposição dos concertos dificulta as escolhas mas os festivais são como a vida, é preciso tomar decisões. O que não impede de correr de sala em sala, dar oportunidade ao desconhecido ou, simplesmente, confirmar o que já suspeitávamos.