“Dar pérolas a Porcos” e outras peças de joalharia

Sandrine Vieira transforma artigos comuns em objectos artísticos de joalharia e inspira-se em tudo o que a rodeia

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Sandrine Vieira transforma objectos comuns em peças de joalharia, inspiradas nas coisas do dia-a-dia, no que vê e no que a rodeia. São jóias únicas que exibem desde molas da roupa, carrinhos de linhas ou até mesmo tampões femininos. A autora define-as com elegância, humor, simplicidade e design.

Tudo começou com uma brincadeira há mais de dez anos. Este projecto surgiu da necessidade de Sandrine Vieira enquanto mulher gostar de usar jóias e de não encontrar o que procurava. A designer começou a trabalhar em joalharia para uso pessoal, mas rapidamente se apercebeu que, tal como ela, os outros também gostavam das suas peças.

Com o objectivo de estimular o lado criativo das pessoas, Sandrine criou entre mais de mil peças inspiradas em tudo: livros, cinema, natureza, música, brinquedos, pessoas e até mesmo nas suas próprias ferramentas de trabalho. “Sou muito observadora e por isso a qualquer instante surgem-me ideias e formas para desenhar uma peça”, conta Sandrine ao P3.

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Com o objectivo de estimular o lado criativo das pessoas, Sandrine criou entre mais de mil peças inspiradas em tudoDR

O anel do cão

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O colar “Dar pérolas a Porcos” faz parte de uma colecção inspirada em parábolas da Bíblia.DR

De acordo com a designer existem peças que têm uma história e que surgem por necessidade ou por uma razão. Temos como exemplos o anel do cão, que pertence à colecção “Os magníficos”, que foi inspirado no cão que usava um chapéu, que um senhor passeava todos os dias pela rua. O anel da ventosa que surgiu, segundo a designer, da necessidade de termos de retirar os anéis sempre que lavamos as mãos, daí a sua utilidade, podemos pendurá-lo no espelho quando vamos à casa de banho, deste modo, não nos esquecemos dele. E o colar “Dar pérolas a Porcos” que faz parte de uma colecção inspirada em parábolas da Bíblia.

Para Sandrine a inspiração e a criatividade não têm fronteiras. Tal como o que a rodeia lhe serve de inspiração, qualquer material pode dar origem a uma peça. Os materiais mais utilizados pela designer são prata, ouro, borracha, madeira, vidro e titânio. “Uso o que for inspirador para materializar. Até a água e a fruta já me serviram de inspiração para fazer joalharia”, refere Sandrine Vieira.

As técnicas dependem de cada projecto e entre a colagem e a modelagem, o recorte e a soldadura são as mais utilizadas. “No projecto ‘Pa.Pele’ amachuquei a prata com as mãos ao ponto de parecer papel, a técnica pode ser muito variável”, sublinha a designer.

A joalharia de autor não é fácil de entender

Sandrine tem 41 anos, nasceu em Paris e é formada em Design Gráfico. Apaixonada por ilustração, cerâmica, escultura e arquitectura foi estudar para a Escola Contacto Directo para aprender mais sobre a técnica que a joalharia exige. “A joalharia surgiu de um gosto pela escultura e mantive-a sempre paralela ao design gráfico. Estou constantemente a criar”, afirma a designer.

As peças são produzidas por Sandrine, no atelier em Leiria e podem ser encontradas no Facebook, na página web e em Leiria. Estima-se que até ao final do mês de Outubro estejam presentes no Porto e em Lisboa e até ao final do ano numa loja online. As peças custam entre oito euros e três mil euros.

A joalharia de autor, de acordo com a designer, não é fácil de entender. Sandrine foi seleccionada para participar no Lisboa Design Show, que decorreu do dia 8 a 12 de Outubro, no Parque das Nações, com o objectivo de potenciar uma rede de contactos e negócios, num único espaço, onde o design foi o centro da discussão. “A minha participação permitiu projecção, visibilidade e reunir uma lista de contactos. Tudo isto é muito importante para que eu consiga alcançar o meu objectivo, a internacionalização”, menciona a designer.

Sandrine consegue brincar com alguns objectos do quotidiano transformando-os em jóias contemporâneas, quem as vê é desafiado a descobrir a sua origem e a sua história. “As minhas peças não são só um adorno estético, são para pensar e contemplar”.