Um Nouvel para seis séculos de arte chinesa

As novas instalações do Museu Nacional de Arte da China, em Pequim, é a mais ambiciosa das obras com construção prevista para o complexo de museus a nascer no parque das olimpíadas de 2008.

Foto
PEDRO ARMESTRE/ AFP

Desconhecem-se tanto o custo do projecto como as datas previstas de arranque e conclusão de obra. As imagens, no entanto, já começaram a sua viagem internacional.

A partir do momento em que, no final da semana passada, o arquitecto francês Jean Nouvel apresentou em Pequim as simulações do que pretende que venham a ser as novas instalações do Museu Nacional de Arte da China (MNAC), a mais ambiciosa das obras com construção prevista para o complexo de museus a nascer no parque das olimpíadas de 2008.
Com uma área estimada de 130 mil metros quadrados na envolvente do Ninho de Pássaro da dupla suíça Herzog & de Meuron, o museu de Nouvel multiplicará por sete a área do museu actualmente sedeado junto à Cidade Proibida, no centro da capital. Deverá acolher obras correspondentes a seis séculos de criação artística, cobrindo um arco temporal que abre na pintura caligráfica da era Ming (1368-1644) e se prolonga até aos nossos dias.

Precisamente, ilustrando este programa expositivo, a sala central, terá um tecto trabalhado em dourado com o qual se ilustrará o desenvolvimento da arte e da cultura chinesas do século XV à actualidade. Mas são o jardim interior e o terraço panorâmico do projecto que mais têm chamado a atenção internacional.

Com uma longa fachada reticular perfurada, que filtrará a entrada do sol, Nouvel esconderá um jardim interior de grandes dimensões. Já o terraço, que parece reflectir o céu, terá ao centro um grande espelho de água cujas curvas orgânicas sublinham a sensação de imaterialidade de todo o edifício, um grande sólido rectangular de ângulos arredondados e aparentemente suspenso no ar sobre um anel metálico. “A nossa proposta é o resultado de um ano de catálise, imersão, diálogos e explorações para traduzir, sintetizar, simbolizar e materializar o espírito da civilização chinesa. O nosso objectivo é proteger os milagres criados a tinta através dos séculos, revelar a força da arte viva… acolher o artista de amanhã”, fez saber o Atelier Jean Nouvel, citado pelo site designboom.

No mesmo comunicado, o atelier explica ainda que o MNAC “está escrito no espaço como o fragmento de um ideograma dando intencionalmente a impressão de estar inacabado”: “Ao libertar-se do chão, impõe-se no céu. Assim, resiste às leis da gravidade ao mesmo tempo que afirma a sua presença.”

“O Museu Nacional de Arte da China representa uma incrível oportunidade para a mais ambiciosa materialização de um lugar de expressão… Um lugar que testemunha a vitalidade de uma civilização”, disseram, citadas pelo The Art Newspaper, as entidades oficiais chinesas. Segundo esta publicação, na conferência estavam ainda Nouvel e vários políticos chineses e franceses, entre os quais Laurent Fabius, o ministro dos negócios estrangeiros e desenvolvimento internacional.

Vencedor do Pritzker em 2008, Nouvel  ganhou a obra depois de em 2012 as autoridades chinesas o terem convidado a apresentar projecto a par com arquitectos como Frank Gehry, Zaha Hadid e Moshe Safdie.