Souto Moura foi a São João da Madeira em defesa da sua piscina

Obra custa 5,3 milhões e a câmara está disposta a pedir um empréstimo para a sua construção.

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Não é a primeira vez que o arquitecto Souto Moura vai a São João da Madeira falar de projectos que lhe saíram das mãos e da cabeça, pensados propositadamente para o mais pequeno município do país em termos de área. Há vários anos, desenhou uma igreja moderna que nunca saiu do papel, esboçou um plano de pormenor para uma zona perto da antiga Oliva que foi aprovado, concorreu depois com um esboço de um centro empresarial e tecnológico que não foi seleccionado. No projecto da nova piscina coberta da cidade, o seu desenho destacou-se entre as 46 propostas reunidas num concurso público internacional. Na segunda-feira à noite, esteve na Casa da Criatividade de São João da Madeira para falar da sua piscina que, de momento, é apenas um desenho já que a comparticipação comunitária não chegou aos 80 por cento como era esperado. “Espero que a piscina se faça. É justo. Desde 2005 que não consigo pôr uma pedra aqui”, referiu o arquitecto perante uma sala quase lotada.

Souto Moura garante que a obra não é complicada, a estrutura metálica é bastante simples, mas assume que se trata de um “projecto ambicioso” que dá sentido às traseiras do estádio da cidade. “Permite não só ser uma piscina, mas tem a pretensão de construir cidade”, especificou. No seu desenho estão três piscinas, uma das quais lúdica e de reabilitação física com um jardim de Inverno, mais um spa, uma cafetaria com esplanada, parque verde no exterior, estacionamentos para carros e bicicletas. Ao todo, 9500 metros quadrados de área de construção e 845 de plano de água. Souto Moura não se alongou na apresentação da obra e revelou que o único luxo da piscina é um espelho de água à superfície.

A sessão preparada pela câmara são-joanense abriu com um filme que realçava a componente desportiva do município, com várias fotografias a preto e branco, acompanhado de uma dança que terminou com três bailarinas de óculos de natação e roupa de ir à piscina. O vice-presidente da Federação Portuguesa de Natação, Gonçalo Rodrigues, aceitou o convite e deu a sua opinião. A Federação já emitiu um parecer favorável à obra e o responsável releu algumas partes do documento, realçando a visão ambiental do equipamento que apelidou de “inovador” e que tem “potencial de captação de públicos diversos”. “É uma piscina com medidas oficiais”. O que significa que os resultados serão oficialmente homologados. 

A câmara não desiste da piscina de Souto Moura e está disponível para pedir um empréstimo de cerca de dois milhões de euros ao Banco Europeu de Investimento. As contas estão todas feitas e segundo Ricardo Figueiredo, presidente da câmara, o procedimento não colocará em causa o endividamento municipal que estima ser de cerca de três milhões em 2018, ano em que o empréstimo começará a ser pago. “O impacto da construção da nova piscina é muito reduzido porque o nosso endividamento é muito baixo”.

Interesse supramunicipal

A lição estava bem preparada. Ricardo Figueiredo tinha mais números para apresentar. Ampliar a piscina actual, com 27 anos de funcionamento, custaria 5,7 milhões de euros. A manutenção dessa piscina custa cerca de 240 mil euros por ano. A piscina de Souto Moura custa 5,3 milhões e terá uma despesa de manutenção de cerca de 75 mil euros anuais, devido a uma forte componente de eficiência energética – será a primeira piscina coberta da Europa com certificação internacional Leed - e a uma previsão de aumento de utentes na ordem dos 30 por cento . Construído o novo equipamento, a actual piscina será transformada num pavilhão desportivo. A garantia foi dada por Ricardo Figueiredo durante o debate conduzido pelo jornalista Júlio Magalhães. Nas intervenções da plateia não se sentiram críticas que abalassem o projecto. 

A piscina de Souto Moura reuniu consenso nos cinco municípios da região de Entre Douro e Vouga (EDV) que, inclusive, assinaram uma declaração onde sublinharam o interesse da obra e que foi enviada ao secretário de Estado do Desenvolvimento Regional Castro Almeida – ex-presidente da câmara são-joanense e que iniciou este processo - e para o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. “Foi fácil para os presidentes do EDV perceberem que a nossa piscina tem um interesse supramunicipal”. “Nada do que se faz em São João da Madeira é apenas para os são-joanenses, mas sim para uma população de 75 mil habitantes da nossa área de influência”, acrescentou Ricardo Figueiredo que assegurou que as “todas as instalações desportivas são dimensionadas para o dobro da população”.