Rui Sousa novamente herói na Torre, Veloso segurou amarela

Português subiu de nono para segundo da geral da Volta a Portugal com vitória na etapa rainha.

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Rui Sousa venceu pela segunda vez na Torre DR/Podium

O espanhol Gustavo Veloso (OFM-Quinta da Lixa) conseguiu manter a camisola amarela na Torre e confirmou-se como o grande favorito à vitória final, mas a 7.ª etapa da Volta a Portugal não deixou de mexer com a corrida. A subida ao ponto mais alto de Portugal continental é uma contagem de categoria especial, estatuto que também tem no coração de Rui Sousa. Habituado a brilhar naquele cenário, o português venceu isolado a etapa-rainha e subiu de 9.º para 2.º da geral, só não conseguindo ultrapassar Veloso, que tem a liderança segura por 28 segundos.

A história do ciclista de 38 anos do Boavista-Rádio Popular-Onda com a Torre na Volta já é antiga. A primeira experiência, em 1998, foi discreta e terminou num 62.º lugar. Mas desde então repetiram-se as posições de destaque. Sétimo em 2001, 6.º em 2000, 2004 e 2010, 2.º em 2002, 2011, 2012 e 2013. E, como já tinha ganho em 2008, tornou-se apenas o terceiro a conseguir vencer duas vezes na Torre. Igualou Joaquim Gomes, actual director da prova, e ficou a um triunfo do recordista, o espanhol David Blanco.

O veterano de Barroselas, que alia a carreira de ciclista com a função de presidente da junta da União das Freguesias de Barroselas e Carvoeiro, do concelho de Viana do Castelo, foi o mais rápido a fazer os 172,5km desde Belmonte e cortou a meta com 39 segundos de vantagem sobre Jóni Brandão, Edgar Pinto e Gustavo Veloso.

Este último é definitivamente o grande favorito a vencer a prova, pois é melhor contra-relogista que o homem do Boavista, Pinto (3.º, a 30 segundos) ou Brandão (4.º, a 43s). O contra-relógio de 28,9 km, no sábado, é agora o único momento para marcar diferenças.

Sousa não ganhou a camisola amarela, como aconteceu no ano passado no mesmo local, mas pelo menos colocou-se em posição de alimentar esperança de conquistar pela primeira vez a corrida e, mais realisticamente, de melhorar os terceiros lugares que acumulou nas últimas três edições (posto em que também se classificou em 2002). “Já fiz muitos lugares de honra aqui… ganhar é um sonho. A luta pela geral não acabou, mas vai ser complicado”, considerou o vencedor.

Quem saiu destas contas foi Luis León Sánchez (Caja Rural), 2.º à partida da etapa, mas que teve uma quebra total e perdeu quase 37 minutos. O espanhol é agora o 36.º da geral e a sua qualidade no contra-relógio deixou de preocupar os candidatos das equipas portuguesas.

Num dia com diferenças vincadas — o 20.º ficou a mais de 5 minutos —, também deixaram de ter pretensões à vitória Ricardo Mestre, que ainda pode ter algo a dizer para o pódio, Hernâni Broco (apesar de ter tentado) ou Ruben Fernández.

A paragem de Fernández

Depois do desgaste causado pelas subidas às Penhas da Saúde e Penhas Douradas, os principais candidatos — Sánchez, nesta altura, já estava descartado — iniciaram juntos a longa subida até à Torre. Após uma tentativa de Edgar Pinto, Rui Sousa fugiu ao grupo ainda muito longe da meta e o único que o conseguiu seguir foi o espanhol Delio Fernández, então 4.º da geral, que, por ser colega de equipa de Gustavo Veloso, se limitou a seguir na roda do boavisteiro.

Mas Fernández, que tinha possibilidade de vencer a etapa ou conquistar a amarela — chegou a ser líder virtual —, sacrificou-se por Veloso. Nos últimos quilómetros, seguindo ordens da equipa de Sobrado, parou completamente para esperar pelo líder, de forma a ajudá-lo a tentar encurtar o fosso. “Mandarem-me parar era a melhor decisão. O importante é ganhar a amarela em Lisboa e para isso o Gustavo é superior”, disse.

Entretanto, António Carvalho, se chegar ao fim, já garantiu a vitória na classificação da montanha.


CLASSIFICAÇÕES
7.ª Etapa
Belmonte-Seia (Torre), 172,5 km

1.º Rui Sousa (Boavista-Rádio Popular-Onda), 5h06m39s
2.º Joni Brandão (Efapel-Glassdrive), a 39s
3.º Edgar Pinto (LA-Antarte), m.t.
4.º Gustavo Veloso (OFM-Quinta da Lixa), m.t.
5.º Sandro Pinto (Louletano-Dunas Douradas), a 47s
6.º Vergílio Santos (Boavista-Rádio Popular-Onda), a 51s
7.º Delio Fernández (OFM-Quinta da Lixa), a 1m03s
8.º Ricardo Vilela (OFM-Quinta da Lixa), a 2m01s
9.º Ricardo Mestre (Efapel-Glassdrive), a 2m17s
10.º Víctor de la Parte (Efapel-Glassdrive), m.t.

Geral
1.º Gustavo Veloso (OFM-Quinta da Lixa), 33h08m18s
2.º Rui Sousa (Rádio Popular-Onda), a 28s
3.º Edgar Pinto (LA-Antarte), a 30s
4.º Joni Brandão (Efapel-Glassdrive), a 43s
5.º Delio Fernandéz (OFM-Quinta da Lixa), a 1m03s
6.º Ricardo Mestre (Efapel-Glassdrive), a 2m19s
7.º Sandro Pinto (Louletano-Dunas Douradas), a 2m43s
8.º Ricardo Vilela (OFM-Quinta da Lixa), a 2m54s
9.º Vergílio Santos (Boavista-Rádio Popular-Onda), a 3m44s
10.º Víctor de la Parte (Efapel-Glassdrive), a 4m36s

Montanha
1.º António Carvalho (LA-Antarte), 81 pontos
2.º Gustavo Veloso (OFM-Quinta da Lixa), 46

Pontos
1.º David Viganò (Caja Rural), 67
2.º Gustavo Veloso (OFM-Quinta da Lixa), 65

Juventude
1.º Heiner Parra (Caja Rural), 33h16m44s
2.º David Rodrigues (Selecção Nacional), a 6s

Equipas
1.º OFM-Quinta da Lixa, 99h28m51s
2.º Efapel-Glassdrive, a 2m55s