CMVM suspendeu acções do BES após queda de 49,7%, para 0,10 euros

Valor das acções cai 90,4% desde o início do ano e nova empresa do GES pediu gestão controlada.

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Goldman Sachs reduziu participação no BES PÚBLICO/Arquivo

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) determinou a suspensão das acções do BES "até divulgação de informação relevante sobre o emitente".

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A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) determinou a suspensão das acções do BES "até divulgação de informação relevante sobre o emitente".

O mercado aguarda dados sobre o plano de recapitalização do BES, após um prejuízo semestral de 3577 milhões de euros. Para já, o que foi divulgado foi um pedido de gestão controlada por parte de uma sociedade do Grupo Espírito Santo.

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Trata-se da Espírito Santo Financière (Esfil), detida a 100% pela ESFG, e, tal como as restantes três holdings do grupo, como a ESFG, o processo corre no tribunais do Luxemburgo.

O pedido de gestão controlada é sustentado no facto de a Esfil, que controla os bancos BPES Polónia e BPES Dubai, "não estar em condições de cumprir as suas obrigações no âmbito do programa do papel comercial, nem as obrigações relacionadas com as suas dívidas", esclarece o comunicado enviado à CMVM.

Já foi também solicitada entretanto a insolvência da ESF(P) – Espírito Santo Portugal, SGPS, detida a 100% pela ESFG. A ESF(P) controla uma participação de 19,1% do BES.

 Ao contrário das quatro sociedades do grupo em gestão controlada no Luxemburgo (ESI, Rioforte e ESFG, a Esfil) o processo de insolvência da ESF(P) vai correr nos tribunais portugueses, ao abrigo do Código de Insolvência e Recuperação de Empresas (CIRE).

Antes da suspensão das acções, os títulos do BES chegaram a perder 49,75%, para 10 cêntimos, novo mínimo de sempre.

A ausência de informação sobre a dimensão do aumento de capital a fazer e se vai ser realizado por privados, pela ajuda estatal, ou por uma solução mista contribuiu para o nervosismo dos investidores, que na última hora de negociação evidenciaram um sentimento de pânico, que atirou a capitalização bolsista do BES para menos de 1000 milhões de euros, abaixo da do Banif, que era até agora o banco de menor dimensão cotado no PSI 20.

As quedas da sessão acentuaram-se após divulgação do comunicado a dar conta de que a Goldman Sachs vendeu cerca de 4,4 milhões de acções do BES, reduzindo a participação para menos de 2%. Quando o banco norte-americano anunciou a participação qualificada, a 22 de Julho, a notícia teve um impacto positivo na bolsa.

Nesta sexta-feira, em ambiente de forte nervosismo dos investidores, a redução da participação gerou um efeito contrário.

Num outro comunicado ao mercado, o BES informou que a Baros, empresa regulada pela legislação do Luxemburgo, adquiriu numa transacção fora da bolsa uma posição de 2,15% do capital do banco português. A operação parece envolver um arranjo de carteiras accionistas, dado que as acções adquiridas pertenciam a fundos administrados pela Baros.

As acções do BES, que na quinta-feira fecharam a perder 42%, depois de terem estado a desvalorizar-se 51%, foram suspensas quando estavam a ser negociadas a 0,12 euros, após terem fixado novo mínimo a 10 cêntimos – ou seja, com uma queda de 85,7% face ao valor a que foi realizado o último aumento de capital.

Para a queda das acções, que está a ser acompanha por um elevado volume de transacções, que se aproxima dos 170 milhões de títulos negociados, está a contribuir a possibilidade de entrada de fundos públicos para recapitalização da instituição, o que, a acontecer, esvazia o capital existente.

O elevado montante de capital, que alguns analistas contactados pela agência Bloomberg admitem poder chegar aos quatro mil milhões de euros, poderá não ser totalmente realizável junto de investidores privados, até porque alguns, como o Bradesco, já admitiram não acompanhar.

O Bradesco, accionista histórico do BES, com pequena participação (3,9%), disse na quinta-feira, durante uma sessão de apresentação de contas, que não tencionava acompanhar o aumento de capital.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, bem como o novo presidente executivo do BES, Vítor Bento, têm reafirmado que há investidores institucionais disponíveis a acorrer a um aumento de capital. Essas declarações, sem revelação das identidades, já não conseguem tranquilizar os actuais investidores.

As estimativas dos analistas apontam para um aumento de capital até quatro mil milhões de euros. O BPI Equity Research admitiu na quinta-feira um aumento de capital de 3,5 mil milhões de euros, de forma a elevar o rácio de capital core tier 1 para 10%. Com os prejuízos apresentados, o core tier 1 do BES desceu para 5%, abaixo dos 7% exigidos e dos 8% recomendados pelo Banco de Portugal.

Na Bolsa de Lisboa, a última sessão da semana fica marcada por fortes desvalorizações, com o PSI 20 a recuar 2,2% e com todos os títulos do índice com quedas entre 2% e 5%. Todo o sector bancário se mantém negativo, com o BPI e o BCP a perderem mais de 3%.

O dia é de quedas na generalidade dos mercados accionistas europeus, em consonância com a forte queda das bolsas norte-americanas desta quinta-feira. O incumprimento da dívida da Argentina é uma das notícias que estão a afectar negativamente os mercados internacionais.