Andrew Winning/Reuters
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Mais um estudo revela por que comer carne faz mal ao planeta

Investigadores comparam impacto de vários produtos de origem animal com base em dados concretos da realidade norte-americana

Já se sabia que comer um bife é um castigo aplicado ao planeta. Mas um novo estudo agora publicado deixa ainda mais claro que a carne de vaca é o alimento de origem animal com mais impacto sobre o ambiente. Requer 28 vezes mais terra, 11 vezes mais água, seis vezes mais fertilizantes e emite cinco vezes mais gases com efeito de estufa do que as carnes de porco e de aves, os lacticínios e os ovos.

“A clara mensagem é a de que a carne de vaca é de longe a categoria animal menos eficiente ambientalmente nas quatro métricas consideradas”, concluem quatro investigadores dos Estados Unidos e de Israel, num artigo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Science” (PNAS).

Os investigadores basearam-se em dados entre 2000 e 2010 sobre áreas cultivadas, água de rega e uso de fertilizantes nos Estados Unidos. Também utilizaram dados sobre as emissões de gases com efeito de estufa, derivadas de análises de ciclo de vida – em que tudo o que é necessário para fazer um animal crescer é tido em conta.

O estudo avaliou o impacto da carne de vaca, de porco e de aves, e também dos lacticínios e dos ovos, que juntos representam 96% do consumo norte-americano de calorias de origem animal. Os peixes ficaram de fora porque pesam muito pouco nos hábitos alimentares do país – apenas dois por cento da energia de origem animal – e porque não havia dados suficientes.

Para produzir aquelas categorias de alimentos de origem animal, são necessários 3,7 milhões de quilómetros quadrados — mais de 40 vezes a área de Portugal — em culturas agrícolas e pastos. Também são consumidos 45 mil milhões de metros cúbicos de água, o que equivale ao consumo doméstico norte-americano, e seis milhões de toneladas de fertilizantes — metade do total nacional. As emissões de gases com efeito de estufa equivalem a 300 milhões de toneladas de CO2 — cinco por cento do total dos Estados Unidos e quatro vezes as emissões de Portugal.

Com muita massa e muito pouca eficiência alimentar, o gado bovino destaca-se claramente em primeiro plano. Para cada caloria contida num bife, são necessárias cerca de 35 calorias de pastagens e rações. Todas as outras categorias de produtos estão próximas ou abaixo da taxa de conversão usual entre dois elos da cadeia alimentar, que é de dez para um.

Os investigadores dizem que, embora o estudo seja baseado em dados dos Estados Unidos, as suas conclusões reforçam as preocupações quanto à exportação de hábitos alimentares para outros países, em especial a China e a Índia, os mais populosos do mundo. “Os nossos resultados podem ajudar a iluminar os caminhos que medidas legislativas correctivas podem tomar”, escrevem.