Comissão Europeia preocupada com resultados do estudo da OCDE

Bruxelas “apela à acção” após resultados de inquérito que revela que maioria dos professores na União Europeia se sente desvalorizada.

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Professores deveriam ter um código de ética, segredo profissional e ter como primado o interesse dos alunos Foto: PÚBLICO

Na nota que foi enviada à imprensa, alguns dos dados que foram salientados como motivo de preocupação prendem-se com o facto de mais de um terço dos professores da União Europeia (UE) trabalhar “em escolas sem pessoal qualificado em número suficiente” e cerca de metade dos directores dar conta da “falta de professores para alunos com necessidades educativas especiais”.

A Comissão recomenda que os estados-membros ponham em prática estratégias “de longo prazo para atrair e reter os melhores professores”: “Entre as acções possíveis contam-se o reforço dos programas de formação de professores; a exploração de percursos flexíveis de inserção na profissão (também em meio de carreira); oportunidades de desenvolvimento profissional e progressão de carreira, assentes em critérios transparentes”, defendem.

Embora a maioria dos docentes da UE afirmem estar satisfeitos com a profissão, cerca de 70% sentem que o ensino não é valorizado na sociedade. “Apesar de os professores se considerarem bem equipados para o trabalho que têm de desempenhar, nem sempre existem apoios para os que estão em início de carreira”, lê-se na nota.

Recomendações
Acerca da formação, a Comissão Europeia considera que “é provável que os professores se sintam mais bem preparados para as suas funções se a sua educação formal incluir uma combinação de conteúdos e de métodos de ensino e de aprendizagem, com prática de sala de aula nas disciplinas que leccionam”. Assim, recomendam que “a formação de professores deve abranger todas estas áreas, de modo a poder preparar mais eficazmente os professores para a respectiva carreira”. Também salientam que, em termos de desenvolvimento profissional, “há que incidir mais na utilização das tecnologias de informação e comunicação na sala de aula e nas competências necessárias para ensinar os alunos com necessidades especiais”.

Sobre o facto de quase 40% dos dirigentes escolares referirem não existir, na sua escola, qualquer programa formal de indução ou apoio em início de carreira – caso de Portugal -, recomenda-se que os países garantam que “a formação inicial de professor seja seguida de um apoio sistemático no início da carreira”. “Os ministros da Educação da UE acordaram recentemente reforçar a formação dos professores e desenvolver quadros de competência que refiram claramente as competências e as qualidades que lhes são exigidas em diferentes fases das suas carreiras”, recordam.

Outro motivo de preocupação prende-se com o facto de 15% dos docentes afirmarem não terem participado em qualquer acção de desenvolvimento profissional no ano anterior ao inquérito, para além de 50% nunca terem observado de aulas de outros professores e quase 20% nunca terem participado em acções de aprendizagem colaborativa. Neste aspecto, recomenda-se aos países que coloquem “uma tónica acrescida em acções eficazes de desenvolvimento profissional e aprendizagem colaborativa, na medida em que este exercício incentiva os professores a usar métodos inovadores de ensino e aprendizagem”, ao mesmo tempo que é “um factor de maior satisfação profissional”.