Chuva de golos com assinatura "portuguesa" e vitória da Argélia

Slimani e Halliche ajudaram os argelinos a tornarem-se a primeira nação africana a marcar quatro ou mais golos num só encontro em Mundiais.

Halliche fez o segundo da Argélia
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Halliche fez o segundo da Argélia Murad Sezer / Reuters

Se é verdade que o Mundial do Brasil caminha para quebrar o recorde de golos marcados na história da competição, certamente ninguém, em Porto Alegre, previa que a partida entre Argélia e Coreia do Sul (4-2) contribuísse para aumentar ainda mais a média da “Copa”. Pelo menos a contar pela discreta recepção que ambas as selecções tiveram à chegada do aeroporto local.

Depois da vitória da Bélgica sobre a Rússia no primeiro encontro do dia ter deixado em aberto o segundo lugar do grupo H, argelinos e coreanos entravam no Estádio Beira-Rio sabendo que um triunfo os deixaria lançados na qualificação para os oitavos-de-final.

Para este “jogo determinante”, como tinha apelidado Vahid Halihodziv, o bósnio seleccionador da equipa africana, muito criticado pela táctica defensiva adoptada na derrota argelina da primeira jornada, começou logo por surpreender antes do apito inicial com cinco alterações em relação ao último “onze”, destacando-se a inclusão de Brahimi, médio criativo do Granada, muito pedido pelos adeptos e imprensa do país, e Slimani, avançado do Sporting.

O resultado foi claro: uma entrada agressiva e pressionante fez com que, com apenas dez minutos de encontro, as “raposas do deserto”, equipa menos rematadora da primeira volta da fase de grupos, já tivesse disparado mais à baliza sul-coreana do que em todo o encontro frente à Bélgica.

Perante uma nervosa entrada da Coreia do Sul, os golos argelinos acabaram por surgir, com assinatura “portuguesa” e separados por 116 segundos: Slimani ganhou em confronto físico aos dois centrais coreanos para tocar a bola por cima da saída de Jung Sung-Ryong (26’) e Halliche, central da Académica, fez o segundo após um canto e uma má saída do guarda-redes sul-coreano (28’).

Depois de na primeira jornada a Argélia ter apontado o seu primeiro golo em Mundiais desde 1986, a formação africana parecia ter apanhado o gosto e chegaria mesmo ao terceiro ainda antes do intervalo, por intermédio de Djabou, assistindo por Slimani.

Enquanto a táctica de Halihodziv parecia estar a surpreender o mais optimista dos adeptos argelinos, o conjunto sul-coreano do seleccionador Hong Myung-Bo, cujo empate obtido no encontro com a Rússia já tinha sido recebido como uma surpresa no país, iniciava o segundo tempo sem um único remate à baliza de Mbolhi.

Sem alterações em nenhuma das equipas no segundo tempo, os “tigres asiáticos” entraram de mentalidade renovada e a sua “estrela”, Son Heung-Min, demorou cinco minutos para diminuir a desvantagem no marcador (50’), confirmando as estatísticas que diziam que em nove dos últimos dez jogos dos sul-coreanos em Campeonatos do Mundo, os asiáticos apontaram sempre o seu golo.

Contudo, o maior recorde ainda estava por chegar: uma brilhante jogada entre Feghouli e Brahimi, o tal muito desejado pelos adeptos, resultou no quarto golo dos argelinos (62’) e na primeira vez que uma equipa africana apontou quatro ou mais golos num só encontro no Mundial.

Os “diabos vermelhos” ainda conseguiriam reduzir a desvantagem novamente para dois golos, através de um dos seus vários medalhados olímpicos, Koo Ja-Cheol, mas a vitória não escapou à formação do norte de África.

Com esta “chuva de golos”, a Argélia torna-se o melhor ataque africano da prova e soma os seus primeiros três pontos, alimentando assim o sonho de passarem, pela primeira vez na história, a fase de grupos do Mundial. Já a Coreia do Sul, deixa de depender de si mesma no apuramento que discutirá no último jogo frente à Bélgica. Texto editado por Jorge Miguel Matias