Recordista Klose salvou Alemanha da derrota

Os alemães chegaram a estar a vencer, em desvantagem e no final arrancaram um empate.

O jogo entre o Gana e a Alemanha foi muito equilibrado
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O jogo entre o Gana e a Alemanha foi muito equilibrado Laszlo Balogh/Reuters

Alemanha e Gana protagonizaram um jogo de recordes, equilibrado, que não deu para mais do que um empate (2-2), mas em que ambas saíram de cabeça erguida, depois de uma segunda parte de tirar o fôlego. O que este resultado significa para Portugal dependerá também do que a selecção de Paulo Bento for capaz de fazer perante os Estados Unidos.

A equipa germânica não dominou como, se calhar, seria esperado, e não ficou com o apuramento praticamente encaminhado (como sucederia com um triunfo), mas pode encontrar consolo na maneira como reagiu depois de estar em desvantagem — e também no facto de continuar, para já, a liderar o Grupo G de forma isolada. A africana, que necessitava mais da vitória do que o adversário, mostrou coragem e capacidade frente a uma equipa que Portugal nem sequer beliscou.

Houve divisão de pontos, mas os golos obtidos em Fortaleza não deixaram de ter significado. O último mais que todos. Miroslav Klose arranja sempre maneira de parecer que o Campeonato do Mundo é um torneio feito à sua medida e, ontem, menos de dois minutos depois de entrar em campo, marcou no seu primeiro toque na bola na competição. Foi o 15.º golo do avançado em Mundiais, o que lhe permitiu juntar-se ao brasileiro Ronaldo no lugar cimeiro dos marcadores na história da prova. Ronaldo fechou a sua participação em Mundiais ao 19.º jogo, Klose vai no 20.º. Ambos chegaram ao recorde contra o Gana.

Aos 36 anos, o alemão tornou-se também apenas o terceiro a marcar em quatro edições diferentes, imitando o compatriota Uwe Seeler e o brasileiro Pelé, que deixaram ambos a sua marca entre 1958 e 1970.

Mas também um dos golos do Gana teve significado especial. Ainda talvez a maior referência dos avançados de África nos Mundiais, o camaronês Roger Milla acabou a carreira com cinco golos na prova. Ontem, Asamoah Gyan igualou-o como máximo concretizador africano na prova.

Depois de uma primeira parte equilibrada, sem grandes oportunidades, mas com o Gana a ter os remates mais perigosos, o jogo só se tornou interessante na segunda. Nessa altura, já Jérôme Boateng não estava em campo. Tal como em 2010, na África do Sul, o defesa alemão defrontou o seu meio-irmão, Kevin-Prince Boateng, médio do Gana. São o único par de irmãos a defrontar-se em Mundiais e agora já o fizeram duas vezes.

O tiro de partida nas hostilidades foi dado pela Alemanha, aos 51’. Desta vez, Thomas Müller não deu a marcar, mas, tal como Klose, arranja sempre maneira de influenciar uma partida num Mundial. O avançado do Bayern Munique encontrou Götze na área e este falhou o remate, mas não o golo. O criativo tentou marcar de cabeça, mas foi através do joelho que a bola terminou no fundo da baliza de Dauda. Para Müller, foi a quarta assistência em Mundiais, uma estatística que pode juntar aos oito golos anotados.

O Gana não demorou a reagir. Decorreram só três minutos até André Ayew, filho do famoso Abedi Pelé, empatar com um bom cabeceamento. Mas as “estrelas negras” precisavam de mais e chegaram à vantagem aos 63’, através de tal golo de Gyan.

A equipa africana tentou “acabar” com o jogo, mas Joachim Löw lançou Klose e este, após canto, apareceu no sítio certo para emendar para a baliza (71’). E o jogo não baixou de ritmo nem de emoção até ao fim.

A Alemanha depende apenas de si, o Gana não ficará hoje a torcer pelos EUA e sabe que possível qualquer via de apuramento passará sempre por um triunfo contra Portugal.

Ficha de jogo, estatística e comparação entre jogadores