A França entrou a ganhar e a tecnologia de baliza também

Benzema marcou dois golos no triunfo francês por 3-0 em Porto Alegre sobre as Honduras.

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A tecnologia de baliza mostrou que a bola entrou mesmo na baliza de Benzema Damir Sagolj/Reuters
Benzema marcou dois golos e contribuiu de forma decisiva para mais um
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Benzema marcou dois golos e contribuiu de forma decisiva para mais um RODRIGO BUENDIA/AFP

A França é uma selecção de comportamento errático em Mundiais de futebol. Campeã em 1998, foi 28.ª quatro anos depois. Foi finalista vencida em 2006 e ficou em 29.º em 2010. Nos três últimos Mundiais, não só não tinha vencido o seu jogo de abertura, como não tinha marcado qualquer golo em nenhum deles, mas os “bleus” deixaram para trás as suas entradas com o pé esquerdo e triunfaram por 3-0 sobre as Honduras no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, em jogo a contar para o Grupo E. Com este triunfo, os franceses partilham a liderança do agrupamento com a Suíça, que venceu o Equador por 2-1.

Foi um jogo com várias estreias. Primeiro, ao contrário do que sempre acontece, não se ouviram os hinos das selecções, algo justificado pela organização com uma falha no sistema de som. Depois, já durante o jogo, a tecnologia de baliza finalmente serviu para desfazer as dúvidas num golo. Mas a grande novidade do jogo foi mesmo a entrada vitoriosa (mesmo que não muito espectacular) da França no torneio, depois da derrota em 2002 com o Senegal e dos empates com a Suíça e o Uruguai, respectivamente em 2006 e 2010.

Nunca esteve em questão o triunfo gaulês. Os golos é que demoraram a aparecer. O portista Mangala ficou no banco e Benzema foi a aposta de Didier Deschamps para a frente de ataque, deixando de fora Olivier Giraud, que havia dado tão boa imagem na goleada à Jamaica. O seleccionador francês ganhou a aposta, já que o avançado do Real Madrid marcou dois golos — igualou Neymar, Van Persie e Robben na lista dos goleadores — e teve influência decisiva no outro.

A diferença de valores foi evidente e os centro-americanos nunca conseguiram beliscar a superioridade da selecção europeia. Depois dos remates à trave de Matuidi (15’) e Briezmann (23’), o marcador funcionou mesmo em cima do intervalo. Wilson Palacios faz falta indiscutível sobre Paul Pogba — o médio hondurenho viu o segundo amarelo e foi expulso — e Benzema, na conversão do respectivo penálti, faz o 1-0 para os franceses.

Sem acelerar demasiado, a França chegou com naturalidade ao 2-0 aos 48’. Benzema faz o remate, a bola vai à trave, passa junto à linha de baliza e bate em Valladares. O veterano guarda-redes das Honduras ainda tentar ir buscá-la, mas já não vai a tempo, porque a bola entrou na totalidade por uma questão de milímetros, as câmaras da tecnologia de baliza assim o provaram.

Pela primeira vez num Mundial, e depois de tantas polémicas passadas, a FIFA introduziu este sistema que tem sete câmaras apontadas a cada uma das balizas em todos os estádios, com a bola a ser seguida de forma permanente e transportada para imagens em 3D. Assim que a bola ultrapassa a linha de golo, o árbitro recebe uma indicação no seu relógio. Foi o que aconteceu em Porto Alegre. Um segundo depois do lance, já o árbitro brasileiro Sandro Ricci estava a apontar para o centro do terreno, ignorando os protesto de Luís Suárez, o treinador colombiano das Honduras.

O terceiro golo surgiu aos 72’. Debuchy faz o primeiro remate, a bola bate em Evra e, na recarga, Benzema fuzila a baliza adversária, confirmando o fim da maldição francesa em inícios de Mundiais e mantendo as Honduras sem qualquer vitória no torneio. Depois de tantas falsas partidas, e com o drama da lesão de Ribéry pelo meio, a França ainda não é a França de 1998, com Zidane e o próprio Deschamps (que era o capitão), mas também não é aquela selecção autodestrutiva de Raymond Domenech. É verdade que o adversário era fraco e que o grupo será acessível, mas os franceses estão a aproveitar para sarar todas as feridas.

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