Emparcelamento rural em Moura permite projecto de rega integrado no Alqueva

Coutos de Moura abrangem 4671 hectares à volta do perímetro urbano de Moura, no Alentejo. Emparcelamento foi aprovado pelos proprietários e pelas entidades locais.

Rui Gaudêncio/Arquivo
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Rui Gaudêncio/Arquivo

O emparcelamento rural dos Coutos de Moura, zona de olivais decrépitos e abandonados situada à volta da cidade, foi aprovado, o que vai permitir um projecto de rega integrado no sistema global do Alqueva.

Num comunicado enviado nesta quarta-feira à Lusa, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) refere que o projecto de Emparcelamento Rural Integrado dos Coutos de Moura foi aprovado pelas entidades locais e por 99,8% dos proprietários, tendo já terminado a terceira e última fase de exposição.

A aprovação do projecto, explica a empresa, vai permitir à EDIA "avançar com um projecto de rega conjunto e ambientalmente sustentável, integrado no sistema global de rega do Alqueva".

Segundo a EDIA, os Coutos de Moura abrangem uma área de 4671 hectares situada num anel à volta do perímetro urbano da cidade de Moura, "onde a cultura ancestral e de sequeiro resulta hoje numa zona de olivais decrépitos, com baixa produtividade e um elevado grau de abandono".

A situação, "consequência de uma teia fundiária de muito pequena dimensão e de um enorme fracionamento e dispersão de prédios rústicos, tornou inviável uma actividade que muito contribuia para o autoconsumo e a economia familiar, mas deixou de ter estrutura compatível" com a actual actividade de olivicultura, explica a EDIA.

Neste sentido, a EDIA, em colaboração com a Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos e o apoio da Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, desenvolveu desde 2008 o projecto de emparcelamento rural dos Coutos de Moura, o qual envolveu 2020 prédios rústicos e cerca de 760 proprietários.

A intervenção permitiu reduzir em 34% o número de prédios por proprietário, aumentar em 50% a área média por prédio e corrigir a configuração geométrica dos prédios rústicos, precisa a EDIA. "A garantia de uma estrutura fundiária mais competitiva, com uma rede de caminhos e drenagens adaptada e corroborada com a vontade de reconverter a actividade abandonada de olivicultura de sequeiro num produto com garantias de viabilidade económica e sustentabilidade do próprio concelho de Moura", permite à EDIA avançar com um projecto de rega na zona dos Coutos de Moura, frisa a empresa.

Segundo a EDIA, o concelho de Moura é considerado uma das zonas do país "com maior importância no que se refere à fileira do azeite", produto que é "a maior realidade económica da região".