Paulo Bento igual a si próprio

A maior fonte de discussão é, obviamente, a exclusão de Quaresma, um jogador que tem tanto de talentoso como de instável. Não se pode dizer que seja uma surpresa o extremo do FC Porto não viajar para o Brasil. Para Paulo Bento (ou outro seleccionador) o convocar teria de confiar cegamente nele, algo que, já se viu, não acontece com este seleccionador.

Não sabemos se algo se passou no Euro 2012, em que Quaresma esteve sem jogar qualquer minuto, mas sabemos que o extremo não gosta de ser suplente e de ser substituído. Quaresma gosta de se sentir o centro da equipa. E para isso já existe Cristiano Ronaldo. Futebolisticamente, o talento de Quaresma merecia estar no Mundial 2014. Portugal não tem muitos jogadores assim. Mas Paulo Bento não quis e Quaresma também não ajudou. Os inúmeros episódios de descontrolo emocional do extremo do FC Porto só aumentaram a desconfiança do seleccionador. E como Paulo Bento pensa pela sua cabeça, neste caso só pode ser criticado por não ter conseguido (ou desejado) criar pontes para integrar Quaresma.

Quanto ao resto, Rafa é a surpresa. Portugal não tem um número dez. Adrien, André Martins e Ruben Micael eram o mais próximo disso, especialmente os dois sportinguistas. O seleccionador preferiu ter o bracarense como o seu joker, até por ser mais polivalente. A polivalência, aliás, foi um dos critérios primordiais da convocatória, o que se percebe até certo ponto, já que é preciso formar um plantel para uma prova curta, desgastante e que se realiza no final da época.

André Almeida joga nas duas laterais, Ricardo Costa é um central que pode jogar como lateral, Veloso e Amorim são médios, mas também podem ser defesas. A polivalência é, de facto, uma vantagem, quando se é um bom polivalente. Ricardo Costa, por exemplo, já mostrou em 2010 que é um enorme risco colocá-lo a jogar como lateral num Mundial. Ou seja, Paulo Bento podia ter optado por um quarto central (Rolando) ou mais um médio.

Em resumo, a convocatória podia ser diferente, mas era quase a mesma coisa. Voltando ao início, se cada um de nós quiser realisticamente fazer de seleccionador, só vai discutir segundas escolhas. O núcleo duro está lá. E, pelo menos, desta vez podemos contar com um seleccionador que foi igual a si próprio. Fez as suas escolhas e com elas ganhará ou perderá. E é sempre melhor jogar com as nossas escolhas do que com os palpites dos outros.