Morreu Jair Rodrigues, uma das vozes mais marcantes do Brasil

Fez dupla com Elis Regina e impôs-se pelo seu estilo e energia. Morreu aos 75 anos na sua casa em São Paulo, inesperadamente.

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Jair com os filhos em 2003 PEDRO CUNHA/ARQUIVO

Jair Rodrigues, cantor brasileiro de voz expressiva e possante no seu auge, morreu na manhã de quinta-feira em sua casa, em São Paulo, de enfarte do miocárdio, aos 75 anos.

Nascido a 6 de Fevereiro de 1939 em Igarapava, no Estado de São Paulo, começou a sua carreira como crooner, nos anos 1950, tendo na década seguinte começado a aparecer na televisão, primeiro em programas de caloiros e, por fim, nos programas Dois na Bossa (com Elis Regina, gravando juntos três discos com o nome do programa, em 1965, 1966 e 1967) e O Fino da Bossa. Antes, porém, em 1964 grava o primeiro LP e fica conhecido com a canção Deixa isso pra lá, que entrou nos ouvidos do Brasil e do mundo e que, no refrão, tinha uma estrutura semelhante à que viria a ter futuramente o rap: “Deixa que digam/ Que pensem/ Que falem/ Deixa isso pra lá/ Vem pra cá/ O que que tem?/ Eu não estou fazendo nada/ Você também/ Faz mal bater um papo/ Assim gostoso com alguém?”

Em 1966, outra vitória: no II Festival de Música Popular Brasileira, partilhou o primeiro lugar (ex-aequo) com A Banda, de Chico Buarque, defendida por Nara Leão, ao cantar Disparada, de Geraldo Vandré, canção-bandeira que o acompanharia na fama até ao fim.

Pai dos cantores Jairzinho Oliveira e Luciana Mello, esteve com eles em Portugal em 2003, ano em que lançava mais um dos seus quase 50 discos. Nessa altura, Jair estava eufórico. Numa entrevista ao PÚBLICO, junto com os filhos, disse: “Há alguns anos, os pais traziam os filhos para conhecerem o pai do Jairzinho e da Luciana. Hoje já não: eles trazem-nos para conhecer o Jair Oliveira, a Luciana Mello e o Jair Rodrigues. Esta é uma fase mais eufórica minha, porque tudo o que eu sentia há trinta anos está acontecendo. Não tenho músicas nas paradas de sucesso, na televisão ou no rádio, mas não deixo de fazer sempre os meus shows nos finais de semana. E estão sempre lotados, graças a Deus, com gente da minha geração e também da nova.”

E assim continuou até que, há poucos dias, se despediu dos palcos em Mato Grosso. Agora, sem avisar, despediu-se da vida.