Ministro da Saúde trava saída do gestor do Hospital de São João

António Ferreira reuniu-se com Paulo Macedo no final da semana passada, em Lisboa.

A empresa tinha cerca de 220 funcionários no Hospital de São João
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Médico trabalhava no Hospital de São João, no Porto Paulo Ricca

O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar São João (CHSJ) António Ferreira, que tem criticado a falta de equidade na distribuição de verbas aos hospitais, pôs o lugar à disposição do ministro da Saúde, mas Paulo Macedo travou a sua saída.

António Ferreira, médico e professor universitário, apontado como um gestor exemplar, reuniu-se sexta-feira com o ministro da Saúde, em Lisboa, e manifestou-lhe a sua  vontade de deixar a presidência do CHSJ, que incluiu o Hospital de São e o Hospital de Valongo. Paulo Macedo terá admitido fazer algumas cedências que vão ao encontro das reivindicações do gestor, adiantaram ao PÚBLICO fontes hospitalares.

Em privado, o gestor queixa-se da “burocracia infernal” que é exigida e diz que não consegue contratar os médicos que pretende para o hospital.

Paulo Macedo aguarda agora por uma proposta concreta que António Ferreira fará chegar ao Ministério da Saúde nos próximos dias. Na intervenção que fez, em Dezembro passado, na cerimónia de entrega da Comenda da Ordem de Mérito concedida pelo Presidente da República em reconhecimento dos “resultados do trabalho que ao longo dos anos tem sido colectivamente desenvolvido no Hospital de S. João”, António Ferreira proferiu um discurso muito crítico.

“Se o hospital puder receber o dinheiro que os seus devedores lhe devem, tem condições para continuar a renovação estrutural e infra-estrutural do edifício e tem condições para, juntamente com a sociedade civil, se lançar na construção do hospital pediátrico integrado”, disse na altura.

“Tantas vezes injustiçados por os ventos da fortuna soprarem sempre no mesmo sentido – o sentido do Sul, tantas vezes agastados por os rios do dinheiro desaguarem permanentemente no mesmo mar -, o mar da indiferença, o mar onde não se desintrinquem as marés, porque se considera sempre em praia-mar, nós continuamos, com resiliente persistência, a cumprir a nossa missão”, afirmou António Ferreira.

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