Associação pede plano de acção para proteger a estrelinha de Santa Maria

Ave mais pequena da Europa está em perigo de extinção mas pouco tem sido feito para a proteger, denuncia o Clube de Amigos Defensores do Património de Santa Maria, nos Açores.

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Estrelinha-de-poupa é a ave mais pequena da Europa DR

A estrelinha-de-poupa, também conhecida como estrelinha de Santa Maria por existir apenas nesta ilha dos Açores, está em perigo de extinção devido à degradação do seu habitat. O Clube de Amigos Defensores do Património de Santa Maria considera que a acção do Governo regional para proteger esta ave tem sido insuficiente e pede a elaboração de um plano de salvaguarda.

"O facto de a ave estar confinada a um espaço tão diminuto em termos territoriais, como é a ilha de Santa Maria, por si só já é merecedora do estatuto especial de conservação e da obrigação política e científica de criação de um plano de salvaguarda", defende José Andrade Melo, coordenador do clube, em declarações à Lusa.

A estrelinha de Santa Maria (Regulus regulus sanctae-mariae) é a ave mais pequena da Europa e está classificada no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal como criticamente em perigo de extinção. É um dos 13 vertebrados mais ameaçados do país.

José Andrade Melo explica que esta ave sofreu uma "regressão significativa" do seu efectivo nas duas últimas décadas, à semelhança do que aconteceu com o priolo, devido à perturbação do seu habitat natural e consequente redução dos alimentos.

A estrelinha de Santa Maria, que se alimenta de insectos, vermes e aranhas, possui apenas oito a nove centímetros de comprimento e 12 a 14 de envergadura, é considerada importante no controlo biológico de algumas espécies e muito procurada no âmbito da actividade de birdwatching (observação de aves). Vive em zonas dispersas na ilha, concentrando-se na zona do Pico Alto e no Barreiro da Faneca. Prefere os espaços com arbustos que contenham espécies da laurissilva (floresta húmida subtropical apenas existente na Macaronésia) para pernoitar e nidificar.

Há dois anos, o Clube de Amigos Defensores do Património de Santa Maria e a representação local da associação ecologista Amigos dos Açores, com o apoio de várias entidades, propuseram ao Governo Regional que a estrelinha de Santa Maria fosse designada "a ave de 2012", visando alertar para a sua existência e perigo de extinção.

A proposta foi feita ao então secretário regional do Ambiente, a quem sublinharam a necessidade de realizar um plano de salvaguarda da estrelinha, através de uma equipa multidisciplinar. Segundo José Andrade Melo, "houve aceitação" da proposta de conservação da espécie, mas "até hoje, para além da promessa, o que houve foi um pequeno estudo de inventariação do seu habitat preferencial".

"Em termos de quantitativo do efectivo populacional nada existe feito de uma forma muito clara”, lamenta o coordenador do clube. Segundo este responsável, foi plantada uma pequena mancha de árvores preferenciais da estrelinha, na zona do Pico Alto, com vegetação endémica. Mas isto “é manifestamente insuficiente", considera.

José Andrade Melo defende, além de um estudo que quantifique a população da ave e identifique as suas reais ameaças, a elaboração de um plano de acção, à semelhança do que foi desenvolvido para o priolo, ave endémica da ilha de São Miguel.