Opinião

Almoçageme

A nossa terra devolve-nos ao tempo que é o nosso.

Em Almoçageme as fantasias são tratadas com doses terapêuticas de caridade.

O espírito da aldeia – a bondade e a sabedoria em pessoa – é a Maria, casada com o senhor Amorim do Café Moínho Verde. Ela é energia; inteligência e generosidade. É um ser superior que gosta dos outros: é ela que trata dos pombos do largo, dos gatos, dos cães e de todos os outros bichos que têm mais azar do que nós.

As pessoas de Almoçageme são boas amigas da verdade. Odeiam a hipocrisia e a conversa de chacha. Dizem o que lhes vai na alma. Mas falam sempre com empatia; com delicadeza perante os recém-chegados, como nós.

As conversas que ouço são sempre lições amistosas: ensinam-me a ser humano. O sentido de humor é magnífico: a Dona Palmira, uma senhora que encontro no Eles e Elas do Senhor Cesaltino e da Dona Ana, é uma maravilha constante.

Esta aldeia é uma aldeia a sério. Ensina-nos a viver. Não exclui os que cá chegam. Aprende-se a dar valor à vida. Já não é pouco. É mais.

Ontem a Maria ralhou comigo por dizer mal do mês de Março que tinha mudado para frio e cinzento, afirmando com a razão dos séculos e da ciência, que "o mês de Março é mesmo assim".

É verdade que falta muito Março; que ainda vem aí Abril e que Maio nunca é tão bom como se pensa.

A nossa terra devolve-nos (reúne-nos, se alguma vez estivéssemos ligados) ao tempo que é o nosso.

Nós agradecemos. É a nossa sorte vivermos em Almoçageme. Morarmos cá é uma reles questão secundária.

Obrigados, Almoçageme!